Delegações do Brasil e dezenas de outros países se retiram do plenário da ONU antes do premier de Israel falar. (Reprodução: TV)


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursou nesta sexta-feira (26) diante de uma Assembleia Geral das Nações Unidas esvaziada, em meio ao crescente isolamento diplomático de seu governo e às críticas internacionais à guerra em Gaza.

Durante cerca de vinte minutos, Netanyahu reafirmou a determinação de Israel em prosseguir com a ofensiva militar contra o Hamas, iniciada após os ataques de 7 de outubro de 2024. “Ainda não terminamos o trabalho. Os últimos elementos do Hamas estão na Cidade de Gaza. Eles querem repetir as atrocidades de 7 de outubro, de novo e de novo. Por isso, Israel precisa concluir sua missão”, declarou.

Estado Palestino é alvo de críticas

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O chefe de governo israelense condenou duramente os países que recentemente reconheceram o Estado Palestino, como França, Espanha, Irlanda e Noruega. Segundo ele, tais decisões são “vergonhosas” e “incentivam o terrorismo contra judeus e inocentes em todo o mundo”.

“Reconhecer um Estado Palestino a um quilômetro de Jerusalém após o 7 de outubro é como oferecer um Estado à Al-Qaeda a um quilômetro de Nova York após o 11 de setembro”, afirmou Netanyahu, provocando reações discretas entre os diplomatas presentes.

Acusações de genocídio

Respondendo às acusações de genocídio e de uso da fome como arma de guerra, o primeiro-ministro negou que Israel esteja promovendo ações contra civis. “Israel tenta retirar a população de Gaza das zonas de combate. As acusações são infundadas”, disse. Ele também afirmou que o exército israelense distribui alimentos e emite alertas antes de ataques.

Organizações internacionais, no entanto, alertam para uma situação humanitária “catastrófica” na Faixa de Gaza. Segundo dados locais, mais de 30 mil pessoas teriam morrido desde o início do conflito.

Alinhamento com os EUA

Netanyahu agradeceu o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e elogiou os ataques americanos contra instalações nucleares iranianas, classificando-os como “atos de coragem”. Ele também mencionou a tentativa de assassinato contra Trump em julho, ligando o episódio a “inimigos comuns”.

Polarização diplomática

O discurso de Netanyahu evidencia a crescente polarização internacional em torno do conflito israelense-palestino. Enquanto alguns países reforçam o apoio a Israel, outros intensificam os apelos por um cessar-fogo imediato e pela criação de um Estado Palestino viável.

Do lado de fora da sede da ONU, centenas de manifestantes pró-Palestina protestaram contra os bombardeios israelenses e pediram sanções internacionais. “Isso não é guerra, é massacre”, dizia uma das faixas.