Os ministros André Fufuca e Celso Sabino que foram contra os seus partidos. (Foto: Reproduções)


O ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), foi afastado da vice-presidência nacional do Progressistas nesta quarta-feira (8), após decidir permanecer no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Executiva Nacional do partido também anunciou intervenção no diretório estadual do Maranhão, presidido por Fufuca.

A decisão foi comunicada por meio de nota oficial assinada pelo presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), que afirmou que o Progressistas “não faz e não fará parte do atual governo”. Segundo o texto, o afastamento é uma resposta à “quebra de alinhamento político” e à “desobediência às deliberações partidárias”.

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Fufuca havia recebido um ultimato da cúpula do partido em setembro, com prazo de 30 dias para deixar o cargo no Executivo. O ministro, no entanto, optou por permanecer no comando da pasta, onde atua como articulador de políticas voltadas à juventude e ao esporte de alto rendimento.

Reação do governo Lula

Apesar das punições partidárias, o Palácio do Planalto decidiu manter os dois ministros nos cargos. Fufuca teve inclusive uma viagem oficial autorizada para o Chile, onde representará o Brasil em evento esportivo. Sabino segue à frente da agenda de turismo e participou recentemente de reuniões com representantes da Embratur e da Organização Mundial do Turismo.

Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que os partidos devem manter a retórica de oposição, mas não pretendem romper completamente com o governo. A permanência dos ministros é vista como estratégica para ampliar a base de apoio no Congresso, especialmente em pautas econômicas e sociais.

Impacto político

A crise expõe o dilema de partidos do centrão que ocupam ministérios sem integrar formalmente a base aliada. Progressistas e União Brasil mantêm parlamentares próximos ao governo, mas também lideranças que se posicionam como oposição.

A decisão de afastar Fufuca e Sabino pode reconfigurar articulações políticas no Congresso, especialmente nas comissões temáticas e nas votações de projetos ligados às áreas de esporte, turismo e juventude.

Ambos os ministros têm bom trânsito entre deputados e senadores e são considerados peças-chave na interlocução com bancadas regionais e empresariais.

União Brasil afasta Celso Sabino de funções partidárias durante processo de expulsão

O diretório nacional do União Brasil decidiu nesta quarta-feira (8) afastar o ministro do Turismo, Celso Sabino, de todas as funções partidárias até a conclusão do processo de expulsão que corre contra ele. A medida foi tomada após Sabino declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando a orientação da legenda.

O partido acusa o ministro de infidelidade partidária, alegando que sua postura pública fere os princípios e posicionamentos do União Brasil. Sabino, que é deputado federal licenciado, foi nomeado ministro por Lula em agosto de 2023, com apoio de parte da bancada, mas sem consenso interno.

A decisão de afastamento foi aprovada por unanimidade pela Executiva Nacional e será válida até o julgamento final do processo disciplinar. Caso seja expulso, Sabino poderá perder o vínculo com o partido e, eventualmente, o mandato parlamentar, caso retorne à Câmara.