Linha de produção de carros eletrificados, que já tem uma participação significativa no Brasil. (Foto: Reprodução)


Setor automotivo registra alta de 35,6% na produção e emplacamentos crescem 37,8%, com reação também nas exportações e nos caminhões impulsionados pelo Move Brasil

A indústria automotiva brasileira registrou em março o melhor desempenho mensal desde outubro de 2019, antes da pandemia.

A produção de veículos alcançou 264,1 mil unidades, um salto de 35,6% sobre o mesmo mês do ano passado e de 27,6% em relação a fevereiro, consolidando o maior nível em mais de seis anos.

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O resultado surpreendeu o setor, que vinha de um início de ano considerado “moderado”. No acumulado do primeiro trimestre, a produção soma 634,7 mil unidades, 6% acima do mesmo período de 2025.

“Março foi excepcional, sem feriados e com bom ritmo de produção e vendas. É preciso cautela para avaliar se não foi apenas um momento isolado de aquecimento pós-férias”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Os emplacamentos também impressionaram: 269,5 mil unidades, o melhor março desde 2013 e o segundo maior resultado desde dezembro de 2014. A alta foi de 37,8% sobre março de 2025, favorecida pelo calendário, já que o Carnaval ocorreu naquele mês no ano passado. No trimestre, as vendas totalizaram 625,2 mil veículos, avanço de 13,3%.

O segmento de caminhões, que vinha em retração, mostrou reação: 8,8 mil unidades emplacadas, alta de 31,9% sobre fevereiro. Embora o acumulado ainda registre queda de 21,1%, o programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos para renovação da frota, vem sustentando a recuperação.

Outro destaque foi o mercado de veículos eletrificados, que atingiu quase 100 mil unidades no trimestre, praticamente o dobro do registrado um ano antes. Desse total, 40,3% foram produzidos no Brasil. Já as exportações, que vinham abaixo das expectativas, somaram 40,4 mil unidades em março, crescimento de 21,1% sobre fevereiro e de 1,1% em relação ao mesmo mês de 2025. A retomada do mercado colombiano ajudou a reduzir a queda acumulada no trimestre para 18,5%.