Um ataque violento contra fiéis reunidos para o Yom Kippur, o dia mais sagrado do calendário judaico, deixou dois mortos e quatro feridos na manhã desta quinta-feira (2) em uma sinagoga no norte de Manchester.
O agressor, que usou um carro para atropelar pessoas e depois desceu armado com uma faca, foi baleado pela polícia e acredita-se que esteja morto. A investigação está sendo conduzida como um possível ato de terrorismo.
O ataque ocorreu por volta das 9h30, horário local, em frente à Heaton Park Hebrew Congregation, uma das sinagogas mais tradicionais da cidade, localizada no bairro Crumpsall.
Segundo a Polícia de Greater Manchester, o agressor avançou com um veículo contra fiéis que se dirigiam ao templo e, em seguida, esfaqueou várias pessoas antes de ser neutralizado por agentes armados que patrulhavam a área.
“Foi uma resposta rápida e decisiva”, disse o prefeito de Manchester, Andy Burnham, em entrevista à rádio BBC Manchester.
“Graças à ação imediata da polícia, evitamos uma tragédia ainda maior.”
As autoridades confirmaram que duas pessoas morreram no local. Quatro outras foram levadas para hospitais da rede NHS em Manchester, três delas em estado grave. Os nomes das vítimas não foram divulgados até o momento.
Uma fonte hospitalar informou que uma das vítimas já está fora de risco, enquanto outras permanecem sob cuidados intensivos.
A identidade do agressor ainda não foi revelada. A polícia declarou que “elementos suspeitos” foram encontrados junto ao corpo, o que levou à mobilização da brigada de minas e armadilhas. A área ao redor da sinagoga permanece isolada, e a investigação está sendo conduzida pela unidade antiterrorismo em colaboração com o serviço secreto britânico, o MI5.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, interrompeu sua participação em uma cúpula europeia em Copenhague para presidir uma reunião do comitê de emergência COBRA. “Estou horrorizado com o ataque à comunidade judaica de Manchester”, disse Starmer em comunicado oficial. “Nenhuma pessoa deve temer por sua vida ao entrar em um local de culto. O governo está mobilizando todos os recursos para garantir segurança e justiça.”
O rei Charles III e a rainha Camilla também se manifestaram. “Estamos profundamente chocados e entristecidos com os eventos em Manchester”, disse o Palácio de Buckingham em nota. “Nossos pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e toda a comunidade judaica neste momento de dor.”
O ataque reacende preocupações sobre a segurança de minorias religiosas no Reino Unido, especialmente em momentos de celebração. A sinagoga Heaton Park, que serve uma comunidade judaica vibrante e historicamente estabelecida, estava lotada no momento do atentado. Yom Kippur é marcado por jejum, oração e reflexão, e tradicionalmente reúne centenas de fiéis em templos por todo o país.
“Este é um dia de introspecção e perdão”, disse o rabino David Lister, líder comunitário em Londres. “Transformá-lo em um dia de luto é uma violência não apenas contra indivíduos, mas contra a alma de nossa fé.”
A polícia pediu que a população evite a área de Crumpsall e informou que patrulhas adicionais foram enviadas para sinagogas em todo o país. A investigação segue em curso, e as autoridades ainda não confirmaram se o agressor agiu sozinho ou se há conexões com grupos extremistas.
Enquanto isso, líderes religiosos e civis pedem calma e união. “Manchester é uma cidade resiliente”, disse Burnham. “Hoje, mais do que nunca, precisamos estar juntos.”





