Cento e trinta e sete ativistas da missão humanitária Flotilha Global Sumud já estão em Istambul, Turquia, após serem deportados por Israel.
A operação, que partiu de Barcelona com destino à Faixa de Gaza, tinha como objetivo romper simbolicamente o bloqueio naval imposto por Tel Aviv e entregar suprimentos médicos e alimentos à população palestina. A interceptação pela Marinha israelense gerou uma onda de denúncias de abusos, incluindo relatos de agressões contra a ativista sueca Greta Thunberg e a detenção de 13 brasileiros, cuja situação permanece indefinida.
Interceptação e detenção
A flotilha, composta por cerca de 45 embarcações e mais de 470 ativistas de 20 nacionalidades, foi interceptada entre os dias 2 e 3 de outubro, nas águas internacionais próximas à costa de Gaza. Os participantes foram levados ao porto de Ashdod e, posteriormente, transferidos para o centro de detenção de Ketziot, no deserto do Negev. Segundo relatos de ativistas e advogados, as condições de encarceramento incluíram falta de água potável, alimentação inadequada, ausência de medicamentos e restrição ao contato com representantes legais.
Denúncias contra Israel
Entre os deportados está Greta Thunberg, 22, que teria sido alvo de humilhações por parte das forças israelenses. Segundo testemunhos de ativistas da Malásia, Itália e Estados Unidos, Greta foi arrastada pelos cabelos, empurrada contra uma parede e forçada a posar com uma bandeira de Israel. O jornalista italiano Lorenzo D’Agostino afirmou que a ativista foi “exibida como troféu” e mantida em condições insalubres, com suspeita de infecção por percevejos.
O governo israelense negou as acusações. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores classificou os relatos como “mentiras completas” e afirmou que os ativistas estavam “seguros e em boas condições de saúde”. Autoridades israelenses também alegam que a missão da flotilha teria vínculos indiretos com o Hamas, o que os organizadores negam categoricamente.
Brasileiros sob custódia
Treze brasileiros — oito homens e cinco mulheres — permanecem detidos em Israel. O Itamaraty acompanha o caso e confirmou que está em contato com autoridades locais para garantir a integridade física dos cidadãos. Ainda não há previsão oficial para a deportação dos brasileiros, e fontes diplomáticas indicam que o processo tem sido dificultado por exigências burocráticas e resistência por parte das autoridades israelenses.
Reações internacionais
A deportação em massa provocou reações em diversas capitais. Protestos foram registrados em Paris, Roma, Berlim, Buenos Aires e Brasília. O governo turco classificou a interceptação como “ato de terrorismo de Estado” e anunciou a abertura de uma investigação sobre possíveis violações de direitos humanos. A Suécia exigiu tratamento médico imediato para seus cidadãos, enquanto a Itália confirmou que 26 italianos foram deportados, com outros 15 ainda sob custódia.
Contexto político
A operação ocorre em meio ao agravamento da crise humanitária em Gaza, onde mais de 2 milhões de pessoas enfrentam escassez de alimentos, medicamentos e energia. A Flotilha Global Sumud é a mais recente tentativa de romper o bloqueio marítimo imposto por Israel desde 2007. Organizações internacionais de direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, têm criticado a política israelense de contenção como “punição coletiva”.


