Vista geral de uma das unidades da indústria Bosch na Alemanha. (Foto: Divulgação)


A Bosch, maior fornecedora mundial de componentes automotivos, anunciou nesta sexta-feira (26) que eliminará cerca de 13 mil postos de trabalho em sua divisão de mobilidade na Alemanha até 2030, em resposta à queda prolongada na demanda e à crescente pressão por eficiência operacional.

A medida, que representa aproximadamente 3% da força de trabalho global da empresa, faz parte de um plano de reestruturação voltado à economia de € 2,5 bilhões (R$ 15,62 bilhões).

Segundo a companhia, os cortes afetarão principalmente as unidades de Feuerbach, Schwieberdingen e Waiblingen, todas localizadas no estado de Baden-Württemberg.

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“Precisamos urgentemente melhorar nossa competitividade e continuar a reduzir nossos custos de forma permanente”, afirmou Stefan Grosch, diretor de relações trabalhistas da Bosch, em comunicado oficial. A empresa também planeja reduzir investimentos em infraestrutura fabril e otimizar sua cadeia de suprimentos.

A planta de Feuerbach, uma das mais antigas da Bosch, perderá cerca de 3.500 empregos. Schwieberdingen deverá cortar 1.750 postos, enquanto a unidade de Waiblingen será encerrada até 2028, afetando 560 funcionários.

A decisão ocorre em meio a uma transformação estrutural da indústria automotiva europeia, marcada pela transição para veículos elétricos, concorrência crescente de fabricantes chineses e altos custos de produção. A Bosch reconheceu que sua divisão de mobilidade vem acumulando prejuízos anuais superiores a € 2,5 bilhões.

Analistas do setor apontam que o anúncio reflete um “colapso silencioso” da indústria automotiva alemã, historicamente dependente da produção de motores a combustão e de componentes tradicionais. A empresa, que emprega mais de 400 mil pessoas globalmente, enfrenta o desafio de adaptar seu portfólio às novas exigências do mercado, incluindo eletrificação, digitalização e automação.

As negociações com sindicatos e representantes dos trabalhadores devem começar nas próximas semanas. A Bosch afirmou que buscará soluções “socialmente responsáveis” para os cortes, incluindo programas de requalificação e transferências internas.