O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou contatos diplomáticos com líderes da Colômbia, Canadá e México. O objetivo, segundo o Palácio do Planalto, é bater na trecla de que a operação das forças norte-americanas em Caracas foi uma violação da soberania venezuelana e reforçar a necessidade de soluções pacíficas para a crise.
Conversa com Petro
Nesta quinta-feira (8), Lula e o presidente colombiano Gustavo Petro rejeitaram a legitimidade da ação conduzida por Donald Trump. Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que ambos consideraram a intervenção “um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional”.
Os dois líderes também expressaram preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, em violação à Carta das Nações Unidas.
“Concordaram que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano”, destacou o comunicado.
Além disso, Lula informou a Petro que o Brasil está enviando 40 toneladas de insumos e medicamentos para a Venezuela, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas. O material inclui soluções para diálise, após o bombardeio que atingiu um centro de abastecimento em Caracas no dia 3 de janeiro.
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Canadá e México: defesa da soberania
Em diálogo com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, Lula reafirmou apoio a um processo de transição pacífico, conduzido pelos próprios venezuelanos. “Os líderes enfatizaram a necessidade de todas as partes respeitarem o direito internacional e o princípio da soberania”, informou o gabinete canadense.
Já com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, Lula discutiu cooperação para a construção da paz e rejeitou a ideia de “zonas de influência” na América Latina. Segundo o Planalto, ambos reiteraram a defesa do multilateralismo e do livre-comércio.
Estratégia brasileira
Após a captura de Maduro, o poder em Caracas foi assumido por Delcy Rodríguez. Diplomatas brasileiros afirmam que a prioridade de Lula é evitar uma crise maior, garantindo estabilidade política mínima e denunciando a violação da soberania venezuelana.
Segundo auxiliares do Planalto, Brasília destoa da posição europeia, que insiste em mencionar transição democrática e figuras da oposição. O Brasil, por ora, descarta pressionar por novas eleições, preferindo apoiar medidas que reduzam o risco de instabilidade social e migratória.
Contexto regional
A crise venezuelana tem impacto direto sobre países vizinhos. Brasil e Colômbia recordaram, em nota conjunta, os “importantes contingentes de migrantes venezuelanos que têm acolhido nos últimos anos”.
A cooperação entre os dois governos busca mitigar os efeitos humanitários da crise e preservar a estabilidade das fronteiras.


