O Brasil amanheceu nesta sexta-feira sob o domínio de uma massa de ar quente persistente, que mantém as temperaturas elevadas e dificulta a formação de chuvas em boa parte do território nacional. O fenômeno, conhecido como bloqueio atmosférico, tem sido o principal responsável por dias consecutivos de calor extremo, especialmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), oito estados estão sob alerta laranja para risco de problemas associados ao calor excessivo, como desidratação, queimadas e sobrecarga no sistema elétrico. A onda de calor, caracterizada por temperaturas ao menos 5 °C acima da média por cinco dias ou mais, segue firme em áreas como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Em São Paulo, a capital deve registrar máximas de até 35 °C, com sol predominante e aumento de nuvens à tarde. A possibilidade de chuva existe, mas de forma isolada e sem impacto significativo na sensação térmica. No Rio de Janeiro, o cenário é ainda mais extremo: os termômetros podem alcançar os 39 °C, com tempo firme e baixa umidade relativa do ar.
No interior mineiro e no Triângulo, o calor se intensifica, com registros acima dos 36 °C. Belo Horizonte também enfrenta mais um dia de abafamento, com previsão de pancadas rápidas no fim da tarde. No Centro-Oeste, Goiânia e Campo Grande seguem sob forte calor, com máximas entre 33 °C e 36 °C. Brasília, embora menos quente, também sente os efeitos do bloqueio, com tempo seco e temperaturas próximas dos 30 °C.
O Sul do país, especialmente o Paraná e o norte catarinense, entra em alerta para temporais. Em Curitiba, a combinação entre calor e umidade aumenta o risco de chuvas fortes acompanhadas de raios e rajadas de vento. Florianópolis deve alternar períodos de sol com pancadas no fim do dia, enquanto o norte gaúcho pode registrar instabilidades mais intensas no fim de semana.
No Norte, o calor típico da estação se soma à alta umidade, favorecendo chuvas frequentes em estados como Amazonas, Acre e Rondônia. Já no Pará e no Tocantins, a previsão indica aumento da instabilidade, com possibilidade de temporais localizados.
O Nordeste apresenta um quadro mais heterogêneo: enquanto o litoral de estados como Bahia, Pernambuco e Ceará mantém tempo firme e quente, o interior do Maranhão e do Piauí deve enfrentar pancadas mais fortes, com risco de alagamentos e ventos intensos.
A partir de sábado, o padrão atmosférico começa a mudar. A borda do bloqueio cede espaço para áreas de instabilidade, que devem se espalhar por diversas regiões. No Sul e no Sudeste, o contraste entre o ar quente acumulado e a chegada de umidade pode provocar chuvas volumosas, especialmente no domingo. O risco de transtornos aumenta em áreas urbanas, com possibilidade de quedas de árvores, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia.
No Centro-Oeste, a tendência é de pancadas mais frequentes no fim do dia, com trovoadas e ventos fortes. A umidade vinda da Amazônia reforça o cenário de instabilidade, que deve se intensificar ao longo da próxima semana.
O calor, no entanto, não dá sinais de recuo. Mesmo com a chegada das chuvas, a sensação de abafamento deve persistir, exigindo atenção redobrada da população para os cuidados com a saúde e o consumo consciente de energia.
Capital paulista registra maior temperatura em 62 anos

O calor deu o tom da quinta-feira (25) em São Paulo. Às 16h, os termômetros do Mirante de Santana marcaram 35,9°C. Foi o dia mais quente de 2025 até agora — e o dezembro mais escaldante desde 1963.
Segundo a Defesa Civil estadual, a marca supera os 35,6°C registrados em 3 de dezembro daquele ano. É o maior valor para o mês em mais de seis décadas. Desde 1998, a capital não enfrentava um dezembro tão abrasador.
O calor extremo acendeu o alerta. A Defesa Civil orienta: hidrate-se. Evite o sol nos horários mais críticos. Redobre os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. O risco é real.
A recomendação é clara: preservar a saúde e poupar água. Em tempos de calor intenso, cada gota conta. O uso consciente é mais do que necessário — é urgente.
O verão ainda nem começou oficialmente. Mas São Paulo já arde. E o céu sem nuvens anuncia: o calor veio para ficar.


