Radharani Domingos, Bruna Araújo de Souza e Rafael Anjos Martins vítimas de intoxicação por metanol. - Reprodução


O Ministério da Saúde confirmou nesta quarta-feira (1) que o Brasil contabiliza 41 notificações de intoxicação por metanol, substância tóxica usada em solventes industriais e que, quando ingerida, pode causar cegueira, coma e morte. A maior parte dos casos está concentrada em São Paulo, com 37 registros — sendo dez confirmados por ingestão de bebida adulterada e 27 ainda sob investigação. Pernambuco também notificou quatro casos suspeitos.

Segundo a pasta, há uma morte confirmada em São Paulo, enquanto outros sete óbitos estão em análise. O caso confirmado é de um homem de 54 anos, morador da capital paulista. Os demais estão sendo investigados em São Paulo e Pernambuco.

Em nota técnica divulgada nesta quarta-feira, o Ministério da Saúde classificou o episódio como um Evento de Saúde Pública (ESP) e orientou estados e municípios a intensificarem a vigilância. O documento recomenda que profissionais de saúde fiquem atentos a sintomas como visão turva, dor abdominal, vômitos, dificuldade respiratória e perda de consciência em pacientes que tenham consumido bebidas alcoólicas de origem desconhecida.

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“Estamos diante de uma situação anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica em relação à intoxicação por metanol no país”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Há indícios de que uma organização criminosa esteja por trás da adulteração das bebidas.”

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, reforçou o alerta. “Pessoas que tenham consumido álcool de procedência desconhecida e apresentem qualquer sintoma relacionado à intoxicação por metanol devem procurar imediatamente uma unidade de saúde”, disse.

Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, São Bernardo do Campo.
Wesley Pereira, 31 anos, bebeu whisky em uma festa.
Marcelo Lombardi, 45 anos, morava na região do Sacomã, na Zona Sul de SP.

Os casos em São Paulo envolvem bebidas como gin, vodca e uísque, todas de origem suspeita. Segundo o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional), os pacientes apresentaram sintomas graves, como cegueira, insuficiência pulmonar e renal. Cinco mortes suspeitas estão sendo investigadas no estado — três na capital e duas em São Bernardo do Campo.

Em Pernambuco, os quatro casos suspeitos estão sendo acompanhados pelas autoridades locais. Dois óbitos estão sob investigação.
A nota técnica do Ministério da Saúde orienta que os casos sejam notificados imediatamente ao CIEVS Nacional e que sejam coletadas amostras da bebida e do sangue dos pacientes para análise laboratorial. O tratamento recomendado inclui o uso de antídotos como fomepizol ou etanol intravenoso, além de suporte intensivo.

O Brasil conta com 32 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), sendo nove em São Paulo, que estão mobilizados para auxiliar no diagnóstico e manejo clínico dos casos.

A Polícia Federal foi acionada para investigar a possível atuação de uma quadrilha responsável pela adulteração das bebidas. A expectativa é que o número de casos aumente nos próximos dias, conforme novas notificações forem registradas.