O Ministério da Saúde confirmou nesta quarta-feira (1) que o Brasil contabiliza 41 notificações de intoxicação por metanol, substância tóxica usada em solventes industriais e que, quando ingerida, pode causar cegueira, coma e morte. A maior parte dos casos está concentrada em São Paulo, com 37 registros — sendo dez confirmados por ingestão de bebida adulterada e 27 ainda sob investigação. Pernambuco também notificou quatro casos suspeitos.
Segundo a pasta, há uma morte confirmada em São Paulo, enquanto outros sete óbitos estão em análise. O caso confirmado é de um homem de 54 anos, morador da capital paulista. Os demais estão sendo investigados em São Paulo e Pernambuco.
Em nota técnica divulgada nesta quarta-feira, o Ministério da Saúde classificou o episódio como um Evento de Saúde Pública (ESP) e orientou estados e municípios a intensificarem a vigilância. O documento recomenda que profissionais de saúde fiquem atentos a sintomas como visão turva, dor abdominal, vômitos, dificuldade respiratória e perda de consciência em pacientes que tenham consumido bebidas alcoólicas de origem desconhecida.
“Estamos diante de uma situação anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica em relação à intoxicação por metanol no país”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Há indícios de que uma organização criminosa esteja por trás da adulteração das bebidas.”
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, reforçou o alerta. “Pessoas que tenham consumido álcool de procedência desconhecida e apresentem qualquer sintoma relacionado à intoxicação por metanol devem procurar imediatamente uma unidade de saúde”, disse.



Os casos em São Paulo envolvem bebidas como gin, vodca e uísque, todas de origem suspeita. Segundo o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional), os pacientes apresentaram sintomas graves, como cegueira, insuficiência pulmonar e renal. Cinco mortes suspeitas estão sendo investigadas no estado — três na capital e duas em São Bernardo do Campo.
Em Pernambuco, os quatro casos suspeitos estão sendo acompanhados pelas autoridades locais. Dois óbitos estão sob investigação.
A nota técnica do Ministério da Saúde orienta que os casos sejam notificados imediatamente ao CIEVS Nacional e que sejam coletadas amostras da bebida e do sangue dos pacientes para análise laboratorial. O tratamento recomendado inclui o uso de antídotos como fomepizol ou etanol intravenoso, além de suporte intensivo.
O Brasil conta com 32 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), sendo nove em São Paulo, que estão mobilizados para auxiliar no diagnóstico e manejo clínico dos casos.
A Polícia Federal foi acionada para investigar a possível atuação de uma quadrilha responsável pela adulteração das bebidas. A expectativa é que o número de casos aumente nos próximos dias, conforme novas notificações forem registradas.


