O Ministério da Saúde informou que o Brasil tem 195 notificações de intoxicação por metanol após a ingestão de bebida alcoólica, sendo 14 casos confirmados e 181 em investigação. As notificações foram enviadas pelos estados até as 16h para o Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (Cievs).
São Paulo lidera com 162 registros – 14 confirmados e 148 em investigação.
Também há casos suspeitos nos seguintes estados: 11 em Pernambuco; 5 em Mato Grosso do Sul; 3 no Paraná; 2 na Bahia; 2 em Goiás; 2 no Rio Grande do Sul; 1 no Distrito Federal; 1 no Espírito Santo; 1 em Minas Gerais; 1 em Mato Grosso; 1 em Rondônia; 1 no Piauí; 1 no Rio de Janeiro; e 1 na Paraíba.

Do total de casos notificados, 13 resultaram em morte, das quais uma está confirmada no estado de São Paulo, segundo o boletim do Ministério da Saúde. Na tarde de sabado (4), o governo de São Paulo confirmou uma segunda morte decorrente de intoxicação por metanol
Os óbitos investigados estão divididos pelos seguintes estados: 7 em São Paulo; 3 em Pernambuco; 1 na Bahia; 1 no Mato Grosso do Sul.
Diante do aumento e da gravidade dos casos, na quarta-feira (1º) o Ministério da Saúde determinou que os estados e municípios notifiquem imediatamente todas as suspeitas de intoxicação por metanol. A medida pretende fortalecer a vigilância epidemiológica e garantir uma resposta rápida e eficaz aos casos suspeitos.
No mesmo dia, foi instalada uma sala de situação para monitorar os casos. De caráter extraordinário, essa estrutura permanecerá ativa enquanto houver risco sanitário e necessidade de monitoramento e resposta nacional.

Marcos Antônio Jorge Junior, de 46 anos, é a segunda vítima a ter a morte confirmada por ingestão da substância altamente tóxica em bebida alcoólica adulterada. Sua morte, ocorrida na última quarta-feira, 2 de outubro, expõe o drama das 14 pessoas já vitimadas, até o momento, pelo consumo do destilado falsificado.
A história de Marcos, um morador da Zona Leste, revela a crueldade e o rastro de destruição da prática criminosa. Segundo o relato de seus familiares, o homem levava uma vida tranquila até a noite de 28 de setembro, quando saiu para se divertir. Ele esteve em um bar na região da Mooca e consumiu vodca. Sem que soubesse, a bebida estava contaminada com metanol, um veneno letal se ingerido.
Morte encefálica
O quadro de saúde de Marcos deteriorou-se rapidamente. Já no dia seguinte, 29 de setembro, ele começou a manifestar sintomas graves: náuseas intensas, vômitos, dores abdominais e, um sinal de alerta para o metanol, visão turva.
Levado às pressas ao Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio, Marcos permaneceu internado por quatro dias em estado crítico. Durante a agonia, os médicos constataram o severo impacto do veneno, que causou insuficiência renal aguda e comprometimento neurológico. A luta pela vida chegou ao fim em 2 de outubro, quando a equipe médica confirmou a morte encefálica da vítima.
O laudo médico foi categórico, confirmando a intoxicação por metanol como causa principal do óbito. O composto, que deveria ser restrito ao uso industrial como solvente ou combustível, foi empregado criminosamente para baratear o custo da produção da vodca falsificada.
A Polícia Civil de São Paulo trata a morte de Marcos Antônio Jorge Junior como parte de uma investigação mais ampla sobre as vítimas do metanol. A principal linha de apuração é o uso da substância para adulterar bebidas e baratear a produção de destilados vendidos ilegalmente. O bar onde Marcos consumiu a bebida na Mooca está sob investigação. Amostras foram recolhidas para análise.
Diante do crescente número de casos, a Anvisa e o Ministério da Justiça intensificaram as ações de fiscalização em distribuidoras e pontos de venda. As autoridades de saúde reforçam o alerta à população para que evite consumir bebidas de procedência duvidosa, especialmente em estabelecimentos sem registro ou que operam na clandestinidade.
Emergência médica
A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar à morte.
Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).
Em caso de identificação dos sintomas, buscar imediatamente os serviços de emergência médica e contatar pelo menos uma das instituições a seguir:
Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;
CIATox da sua cidade para orientação especializada (veja lista aqui);
Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país;
É importante identificar e orientar possíveis contatos que tenham consumido a mesma bebida, recomendando que procurem imediatamente um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequado. A demora no atendimento e na identificação da intoxicação aumenta a probabilidade do desfecho mais grave, com o óbito do paciente.


