A Cantareira está com baixo nível de água, pois as chuvas têm diminuído. (Foto: EBC)


O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, entrou nesta quarta-feira (1º) na faixa de restrição, após registrar apenas 28,3% de seu volume útil.

A mudança de faixa, determinada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), implica em redução na retirada de água e reforça o alerta para uma possível crise hídrica.

A Sabesp, responsável pelo fornecimento de água no estado, terá de limitar a captação para até 23 metros cúbicos por segundo — quatro a menos do que o permitido na faixa anterior, de alerta.

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A medida afeta diretamente cerca de 10 milhões de pessoas, metade da população da Grande São Paulo.

Além da redução na captação, a companhia ampliou o tempo de diminuição da pressão da água durante a noite.

O intervalo passou de 8 para 10 horas, entre 19h e 5h, como forma de preservar os níveis dos reservatórios.

Segundo especialistas, a escassez de chuvas nos últimos meses é o principal fator para a queda no volume do Cantareira.

“Estamos diante de um cenário climático adverso, com precipitações abaixo da média histórica. Isso exige uma gestão mais eficiente e ações de longo prazo”, afirmou Samuel Barreto, gerente de água da The Nature Conservancy Brasil.

A Sabesp também intensificou a transposição de água entre os reservatórios Jaguari e Atibainha, uma estratégia para equilibrar os níveis e garantir o abastecimento. A companhia informou que, apesar da restrição, não há previsão de racionamento, mas reforçou a importância do uso consciente da água.

O Cantareira opera com cinco faixas de disponibilidade hídrica, que determinam o volume máximo de retirada de água. A faixa de restrição é acionada quando o volume útil fica entre 20% e 29,9%. Abaixo disso, entra-se na faixa especial, com limite ainda mais severo de captação.

A crise atual remete ao episódio de 2014, quando o sistema chegou a operar com volume morto. Na ocasião, a estiagem prolongada e a falta de planejamento provocaram uma das maiores crises hídricas da história recente do estado.

Diante do novo cenário, especialistas alertam para a necessidade de investimentos em infraestrutura, preservação de mananciais e políticas públicas voltadas à segurança hídrica. “Não podemos depender exclusivamente da chuva. É preciso diversificar fontes e proteger os recursos naturais”, disse Barreto.

A ANA e a Sabesp seguem monitorando os níveis dos reservatórios e reforçam que a população deve colaborar com medidas de economia. A recomendação é evitar desperdícios, revisar instalações hidráulicas e adotar práticas sustentáveis no uso da água.