A decisão do governo dos Estados Unidos de reduzir em 10% as tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros, anunciada na noite de sexta-feira (14), representa um alívio significativo para o Espírito Santo — estado que figura entre os mais prejudicados pelo chamado “tarifaço de Trump”, imposto em abril. A medida, que derruba parte da sobretaxa de 50% aplicada a itens como café, carne bovina e frutas tropicais, reacende a expectativa de retomada das exportações capixabas e fortalece a economia regional.
O Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do Brasil e o líder nacional na produção de conilon, variedade amplamente exportada para os EUA. Desde a imposição da tarifa, produtores locais enfrentavam dificuldades para manter competitividade no mercado internacional, com queda nas vendas e aumento nos custos logísticos. Além do café, outros produtos capixabas como pimenta-do-reino, gengibre, pescados e rochas ornamentais também foram duramente afetados.
Segundo dados da Secretaria de Agricultura do ES, o estado exportou mais de US$ 1,2 bilhão em produtos agrícolas para os EUA em 2024, sendo o país o principal destino das mercadorias capixabas. A imposição das tarifas comprometeu esse fluxo, levando cooperativas e empresas a buscar novos mercados ou renegociar contratos.
Em publicação nas redes sociais, o governador Renato Casagrande (PSB) comemorou a decisão da Casa Branca:
“A decisão dos EUA de reduzir tarifas sobre produtos agrícolas reforça a importância do diálogo e da cooperação internacional. Para o Espírito Santo, com produção forte e qualificada do café às frutas, essa abertura amplia oportunidades e fortalece nossa economia. Nossa expectativa é que a medida avance, alcançando também os demais produtos e ampliando as oportunidades para quem produz no Espírito Santo e no Brasil.”
A declaração de Casagrande reflete o sentimento de alívio entre produtores e exportadores, que agora vislumbram a possibilidade de recuperar parte das perdas acumuladas nos últimos meses. A redução tarifária também é vista como uma estratégia dos EUA para conter a inflação de alimentos, o que pode abrir espaço para negociações futuras envolvendo outros produtos ainda sob taxação.
A expectativa é que o governo brasileiro intensifique o diálogo diplomático para ampliar a lista de produtos beneficiados e garantir maior previsibilidade ao agronegócio capixaba.

