O presidente da China, Xi Jinping, anunciou nesta quarta-feira (24) um novo pacote de metas climáticas que pretende reposicionar o país como protagonista na transição ecológica global. Em discurso transmitido durante a Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas, Xi afirmou que “a transformação verde e de baixo carbono é a tendência do nosso tempo” e defendeu que a transição ecológica seja conduzida com justiça e cooperação internacional.
A China é considerada o maior poluidor do planeta. O país é responsável por cerca de 30% das emissões globais de carbono, principalmente devido à sua dependência do carvão como fonte de energia.
A nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) da China estabelece uma redução de 7% a 10% nas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, em relação ao pico atual. O plano também prevê que fontes de energia não fósseis representem mais de 30% do consumo total do país, o que equivale a multiplicar por seis a capacidade instalada de energia eólica e solar em relação aos níveis de 2020. Segundo Xi, a China pretende alcançar 3.600 gigawatts de capacidade instalada nesses setores.
Além disso, o país planeja tornar os veículos elétricos predominantes entre os novos modelos vendidos, expandir o mercado de carbono e aumentar a cobertura florestal. “Esses objetivos representam os melhores esforços da China, baseados nas obrigações do Acordo de Paris”, declarou Xi durante o evento.
A China, maior emissora anual de carbono do mundo, responde por cerca de um terço das emissões globais. Apesar disso, o país também lidera a produção de energia limpa, com mais de 10% do seu PIB já vinculado ao setor. Analistas apontam que a nova meta climática é ambígua: embora fique aquém da redução mínima de 30% considerada necessária para alinhar-se ao Acordo de Paris, ela sinaliza uma mudança estratégica. “A nova meta climática da China é ao mesmo tempo decepcionante e transformadora”, avaliou Andreas Sieber, diretor associado da ONG 350.org. “Agora, o verdadeiro teste está no próximo Plano Quinquenal, que deve ir mais longe: eliminando gradualmente o carvão, acelerando as energias renováveis e garantindo que as comunidades da linha de frente se beneficiem da transição energética”.
Durante seu pronunciamento, Xi Jinping também cobrou que países desenvolvidos assumam “a obrigação de reduzir emissões primeiro” e ofereçam maior apoio financeiro e tecnológico às nações em desenvolvimento. Ele pediu mais cooperação internacional em inovação e indústria, com o objetivo de “garantir a livre circulação global de produtos verdes de qualidade”.
A Cúpula do Clima foi presidida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e teve como foco destravar a entrega das NDCs, cuja atualização está atrasada em diversos países.





