A cirurgia robótica da próstata vem sendo uma alternativa segura e cada vez mais utilizada em pacientes que necessitam da intervenção. (Foto: Redes Sociais)


A técnica, considerada uma das mais avançadas da medicina moderna, foi oficialmente incorporada ao sistema público por meio de portaria publicada pelo Ministério da Saúde, com apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico Industrial da Saúde (Sectics).

A cirurgia — chamada de prostatectomia radical assistida por robô — será utilizada em pacientes com câncer de próstata clinicamente localizado ou localmente avançado.

O procedimento consiste na remoção completa da próstata e das vesículas seminais, podendo incluir também os linfonodos pélvicos.

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Com o auxílio de braços robóticos controlados por cirurgiões, a técnica permite maior precisão, menor sangramento, menos dor pós-operatória e recuperação mais rápida.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) aprovou a inclusão da tecnologia após análise técnica e consulta pública.
De acordo com a portaria, as áreas técnicas do Ministério da Saúde terão até 180 dias — contados a partir de outubro de 2025 — para efetivar a oferta do serviço. Isso inclui a definição de protocolos clínicos, a seleção de centros de referência e o treinamento das equipes médicas envolvidas.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Rodrigo Nascimento Pinheiro, a adoção da cirurgia robótica pelo SUS representa um avanço significativo na democratização do acesso à medicina de alta complexidade. “Reconhecemos o esforço técnico em promover equidade no tratamento e assegurar que mais pacientes possam se beneficiar dos melhores cuidados disponíveis”, afirmou.

Pinheiro destacou ainda que a técnica robótica tem se mostrado eficaz na formação de novos profissionais, ao permitir treinamentos em ambientes controlados e supervisionados. Isso reduz a curva de aprendizado dos cirurgiões e aumenta a segurança dos procedimentos.

Onde será oferecida

A cirurgia robótica será inicialmente disponibilizada em hospitais públicos conveniados ao SUS que já possuem estrutura para procedimentos de alta complexidade. A expectativa é que os primeiros centros de referência sejam definidos nos próximos meses, com prioridade para unidades que já realizam cirurgias oncológicas e dispõem de equipes especializadas.

Embora o Ministério da Saúde ainda não tenha divulgado a lista oficial de hospitais que receberão a tecnologia, a implantação será gradual e deverá começar por instituições localizadas em capitais e grandes centros urbanos, como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. A expansão para outras regiões dependerá da capacitação técnica e da disponibilidade de equipamentos.
Impacto esperado

O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados mais de 70 mil novos casos por ano. A incorporação da cirurgia robótica ao SUS tem potencial para ampliar o acesso ao tratamento curativo, especialmente em estágios iniciais da doença.

Além dos benefícios clínicos, a adoção da tecnologia também representa um avanço na gestão pública da saúde, ao alinhar o SUS às práticas mais modernas da medicina mundial. Criado pela Constituição de 1988, o sistema público brasileiro é reconhecido internacionalmente por sua abrangência e por ter desempenhado papel central no enfrentamento da pandemia de covid-19.