O setor público brasileiro registrou um déficit primário de R$ 17,3 bilhões em agosto, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central. O resultado representa a diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar os gastos com juros da dívida. Esse número indica que, no mês, o país gastou mais do que arrecadou.
No acumulado de 2025, o déficit fiscal já soma R$ 61,8 bilhões, o equivalente a 0,74% do Produto Interno Bruto (PIB).
Esse desempenho reflete a dificuldade do governo em equilibrar as contas públicas diante de receitas abaixo do esperado e despesas elevadas.
A dívida bruta do governo geral — que inclui União, estados, municípios e empresas estatais — permaneceu estável em agosto, representando 77,5% do PIB. Em valores nominais, a dívida totaliza cerca de R$ 9,6 trilhões.
Embora o percentual tenha se mantido, o patamar é considerado elevado por analistas, especialmente em comparação internacional.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida brasileira está no mesmo nível da média dos países da Zona do Euro.
Essa comparação acende um alerta sobre a sustentabilidade fiscal do país. Desde o início do governo Lula, há pouco mais de dois anos e meio, a dívida pública aumentou cerca de seis pontos percentuais.
O resultado de agosto foi composto por déficits em todas as esferas do setor público:
O governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) teve déficit de R$ 15,9 bilhões.
Os governos regionais (estados e municípios) registraram déficit de R$ 1,3 bilhão.
As empresas estatais tiveram resultado negativo de R$ 6 milhões.
Em nota, o Banco Central destacou que “o resultado primário reflete, principalmente, a queda na arrecadação federal e o aumento das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e gastos com pessoal”.
Especialistas apontam que o cenário fiscal exige atenção. “A estabilidade da dívida em agosto não significa que o problema está resolvido. O governo precisa apresentar medidas concretas para conter o crescimento da dívida e melhorar o resultado primário”, afirmou o economista-chefe da Tendências Consultoria, Felipe Salto.
O Ministério da Fazenda tem reiterado o compromisso com a meta de zerar o déficit primário em 2025, conforme estabelecido no novo arcabouço fiscal. No entanto, o cumprimento da meta depende de uma recuperação da arrecadação e do controle das despesas.





