Ana Toni, diretora executiva da COP30, em entrevista coletiva. (Foto: EBC)

O primeiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, terminou com a entrega de 111 relatórios de metas climáticas, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês). A informação foi divulgada nesta segunda-feira (10) pela diretora executiva da conferência, Ana Toni.

As NDCs são planos nacionais estabelecidos pelo Acordo de Paris e devem ser atualizados a cada cinco anos pelos 195 países signatários. Até fevereiro, prazo estipulado para a entrega, o número de submissões era considerado baixo. Antes da abertura da COP30, apenas 79 países haviam enviado suas metas.

“Hoje à tarde nós ficamos sabendo que já temos 111 relatórios de NDCs que foram publicados”, disse Toni, em entrevista coletiva. Segundo ela, o número representa um avanço no processo de cooperação internacional. “Temos 194 países credenciados para Belém e isso mostra que estamos fortalecendo o multilateralismo.”

A diretora também anunciou a aprovação da agenda de ações da conferência, com 145 temas prioritários a serem discutidos até o encerramento do evento, no dia 21. “A grande notícia hoje é que pudemos adotar a agenda de ações. Nos últimos quatro anos, não conseguimos abrir a agenda no primeiro dia. Neste momento geopolítico, isso é significativo. Sem a abertura da agenda em todos os tópicos, não há avanço”, afirmou.

Tecnologia é ponto sensível nas negociações

Um dos temas com maior dificuldade de consenso, segundo Toni, é o da tecnologia. O Acordo de Paris prevê a transferência de tecnologia e capacitação para apoiar países em desenvolvimento nas ações de mitigação, adaptação e cumprimento das NDCs.

O assunto foi debatido em junho, durante a SB60 (Sessão dos Órgãos Subsidiários), também conhecida como Conferência sobre Mudança Climática de Bonn, realizada anualmente na Alemanha como preparação para as COPs. O encontro reúne representantes de governos, cientistas, ativistas e observadores para discutir aspectos técnicos das ações climáticas.

“O tema de tecnologia foi um dos poucos que não teve acordo. Quase todos os demais foram resolvidos em Bonn. Este é um dos pontos mais importantes da negociação: garantir a transferência de capacidade e tecnologias para que os países em desenvolvimento possam acelerar seus planos de adaptação e suas NDCs”, disse Toni.