André Corrêa do Lago, presidente-designado da COP30, que começa nesta segunda-feira. (Foto: EBC)

Às vésperas do início da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o presidente-designado do evento, embaixador André Corrêa do Lago, divulgou neste domingo (9) sua décima e última carta à comunidade internacional. No documento, ele convoca os países a fazer de Belém um ponto de virada na luta contra a crise climática, transformando o fórum multilateral em um “ciclo de ação”.

“A COP30 pode marcar o momento em que a humanidade recomeça – restaurando nossa aliança com o planeta e entre gerações”, escreveu Corrêa do Lago. A carta resume os principais eixos das mensagens anteriores, reforçando que a mudança climática exige cooperação global e coragem política. “Ou decidimos mudar por escolha, juntos, ou seremos forçados a mudar pela tragédia. Temos uma escolha. Podemos mudar. Mas precisamos fazê-lo juntos.”

A conferência começa nesta segunda-feira (10) e terá como foco as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), metas de redução de emissões de gases de efeito estufa assumidas por cada país. O Brasil se comprometeu a cortar entre 59% e 67% de suas emissões até 2035, abrangendo todos os setores da economia. Até agora, 79 países apresentaram suas NDCs, representando 64% das emissões globais. Os demais 118 países, responsáveis por 36%, ainda não formalizaram seus compromissos.

Corrêa do Lago defende que Belém honre a trajetória iniciada na ECO-92, no Rio de Janeiro, e se torne símbolo da capacidade humana de “cooperar, renovar-se e agir em conjunto diante da incerteza”. Para ele, a COP30 deve ser a conferência da verdade: “Mais importante do que o que fazemos e como fazemos é termos clareza sobre por que o fazemos.”

Entre as prioridades delineadas nas cartas anteriores estão o fortalecimento do multilateralismo, a conexão entre o regime climático e a vida real das pessoas, e a aceleração da implementação do Acordo de Paris. O embaixador também propõe que os quase 200 países participantes atuem como uma equipe coesa, capaz de canalizar a inteligência coletiva da humanidade em prol de um propósito comum: proteger sociedades, economias e ecossistemas.

A expectativa é que a COP30 avance em ações concretas de financiamento climático, especialmente para países em desenvolvimento, que enfrentam os maiores desafios na adaptação e mitigação dos efeitos da crise ambiental.