Correios | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise financeira dos Correios se aprofundou com a revelação de que a estatal terá de arcar com R$ 118,5 milhões adicionais em juros após renegociar duas vezes um empréstimo de R$ 1,8 bilhão firmado em junho de 2025. Segundo o balanço do 3º trimestre, divulgado na última sexta-feira (28), os aditivos assinados entre agosto e setembro elevaram a taxa efetiva da operação de 21,99% para 25,67% ao ano e reduziram o período de carência, antecipando o início do pagamento das parcelas. A revisão das condições ocorreu porque um dos covenants contratuais foi descumprido, o que obrigou a estatal a renegociar o financiamento.

Além do aumento da taxa de juros, a renegociação incluiu a cobrança de R$ 83,7 milhões em taxa de contratação e R$ 44,8 milhões em taxa de renegociação. Com as mudanças, o pagamento do empréstimo passou de seis parcelas a partir de junho de 2026 para 11 parcelas mensais iniciando em janeiro de 2026.

Os encargos totais saltaram de R$ 367,4 milhões para R$ 485,9 milhões. O empréstimo integra um cenário de endividamento crescente: apenas em 2025, os Correios já acumularam R$ 6 bilhões em prejuízo, atingindo o 13º trimestre consecutivo no vermelho.

O relatório financeiro mostra que a dívida da empresa vem sendo pressionada por operações recentes, como os R$ 26 milhões já pagos ao banco Daycoval e os R$ 173 milhões devidos ao Banco ABC por um empréstimo de R$ 550 milhões contratado em dezembro de 2024. Do crédito de R$ 1,8 bilhão tomado em junho, R$ 109 milhões em juros já foram incorridos.

Diante do agravamento do caixa, o Conselho de Administração autorizou a busca por um novo empréstimo de R$ 20 bilhões, que teria garantia do Tesouro Nacional e liberação prevista em etapas entre 2025 e 2026.

A operação, no entanto, enfrenta obstáculos. Nesta terça-feira (2), o Tesouro Nacional rejeitou a proposta apresentada pelo consórcio de bancos para o empréstimo, considerando excessiva a taxa de juros de 136% do CDI. Com isso, a liberação dos recursos está paralisada.

Em nota, os Correios afirmaram que a renegociação do financiamento de R$ 1,8 bilhão foi necessária para garantir “estabilidade financeira em um período crítico” e que os custos adicionais resultam do ajuste contratual após o descumprimento de uma cláusula contábil. A estatal informou ainda que contratou consultoria especializada para reforçar controles internos e aprimorar processos contábeis.