
O crime organizado, representado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) e pelo Comando Vermelho, operava uma emissora de rádio FM no 12º andar do Edifício Parque Avenida, localizado no coração da Avenida Paulista, uma das áreas mais nobres de São Paulo. A região abriga sedes de grandes companhias, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e o Tribunal Regional Federal.
A informação foi divulgada pela Polícia Civil de São Paulo, com base em investigações relacionadas à execução do empresário Antônio Vinicius Gritzbach, ocorrida no dia 8 de novembro de 2024, no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Na ocasião, ele foi alvejado a tiros, e outras três pessoas ficaram feridas. A polícia já esclareceu o crime, que envolve a participação de policiais civis e militares.
Os portais UOL e DCM divulgaram os detalhes fornecidos pela polícia no último fim de semana. De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a emissora, que atualmente está fora do ar, era conhecida como “Rádio Street – A Número 1 de São Paulo”. Os estúdios e escritórios estavam localizados no topo do Edifício Parque Avenida, na Avenida Paulista, nº 1776.
Segundo as investigações, o responsável pela rádio, que apresentava um estilo musical, era o traficante Emílio Carlos Gongorra Castilho, de 44 anos, também conhecido como “Bill” ou “Cigarreiro”. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato de Antônio Gritzbach, que, aos 38 anos, atuava como delator do PCC e de policiais civis corruptos.
“Cigarreiro” teve a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça, mas encontra-se foragido. Conforme apurado pela Polícia Civil de São Paulo e pela Polícia Federal, ele possui conexões tanto com o PCC quanto com o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro.
A descoberta da emissora ocorreu durante o cumprimento de mandados judiciais em endereços relacionados ao traficante. Até então, a existência de uma rádio operada pelo crime organizado na maior cidade do Brasil era desconhecida. Ao entrarem no edifício da Avenida Paulista, os policiais foram recebidos pelo gerente predial, que os levou ao 12º andar. Ele informou que o imóvel estava desocupado desde meados de dezembro de 2024 e que a energia elétrica havia sido recentemente cortada.
No local, os policiais encontraram vestígios da operação de uma emissora de rádio. Apuraram que “Cigarreiro” frequentava o espaço regularmente, desempenhando o papel de gerente da emissora. Também identificaram outro frequentador, Kauê do Amaral Coelho, de 29 anos. Segundo o DHPP, Kauê foi o responsável por atuar como “olheiro” no aeroporto de Guarulhos no dia do assassinato, avisando aos atiradores o momento exato em que Gritzbach deixou o saguão do Terminal 2. Kauê também teve a prisão temporária decretada e está foragido.
A administração do edifício revelou que, no painel do prédio, o nome da emissora ainda constava como “Rádio Número 1 de São Paulo” (Rádio Street). A emissora iniciou suas operações no Condomínio Edifício Parque Avenida no dia 19 de abril de 2024, mas teve baixa cadastral registrada em 9 de janeiro de 2025, com o motivo de “extinção por encerramento de liquidação voluntária”, conforme apurou o UOL.
Segundo consta em publicações na internet, a rádio inicialmente operava em formato popular, voltada a ritmos urbanos, como hip hop, funk e rap. Em agosto de 2024, passou por mudanças artísticas. Mesmo com o fim das transmissões via frequência FM, a emissora havia planejado continuar sua programação pela internet. A Rádio Street operava no dial 103,7.
A rádio saiu do prédio logo após a morte do delator Fritzbach.



