Aeropoto de Havana, que ficará sem abastecimento nos aviões por um mês a partir desta terça-feira (10). (Foto: Gov. Cuba)


O governo de Cuba anunciou que, a partir desta terça-feira (10), não haverá mais fornecimento de querosene de aviação no país, em razão da crise energética. A medida obriga companhias que operam voos de longa distância a realizar escala técnica para reabastecimento.

Segundo um dirigente de empresa aérea europeia, a aviação civil cubana notificou todas as companhias de que o abastecimento de jet fuel será suspenso a partir da 0h no horário local (5h GMT). Voos regionais devem seguir normalmente. A Air France informou que manterá sua rota, com escala técnica em outro país do Caribe.

A crise energética se agravou após a interrupção do fornecimento de petróleo pela Venezuela, sob pressão dos Estados Unidos, que ameaçam aplicar tarifas a países que vendam o produto para a ilha. Na sexta-feira (6), Havana anunciou medidas emergenciais, como semana de quatro dias, trabalho remoto em repartições públicas e estatais, restrições à venda de combustíveis, redução de ônibus e trens interprovinciais e fechamento de estabelecimentos turísticos.

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Nas escolas, as aulas serão mais curtas, e universidades funcionarão de forma semipresencial. O vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga afirmou que as medidas buscam economizar combustível para priorizar a produção de alimentos e a geração de eletricidade.

A tensão entre Cuba e EUA aumentou após o presidente Donald Trump assinar decreto que permite tarifas a países que vendam petróleo para Havana. Washington alega que a ilha representa ameaça à segurança nacional por estar a 150 km da Flórida. O governo cubano acusa os EUA de tentar asfixiar sua economia, marcada por apagões e falta de combustível.

Reação da Rússia

O Kremlin criticou os métodos dos EUA. “A situação em Cuba é crítica”, disse o porta-voz Dmitri Peskov. Ele afirmou que Moscou mantém contato com Havana para discutir formas de ajuda.