O deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG), aliado político da família Bolsonaro, foi escolhido como relator do processo disciplinar contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Conselho de Ética da Câmara.
A decisão foi tomada pelo presidente do colegiado, Fabio Schiochet (União-SC), após sorteio de lista tríplice que incluía também Duda Salabert (PDT-MG) e Paulo Lemos (PSOL-AP).
Freitas já se referiu publicamente a Eduardo como “amigo” e participou das campanhas presidenciais de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.
Em vídeo gravado em 2019, o parlamentar aparece ao lado do filho do ex-presidente e afirma: “Estamos aqui com o nosso amigo, deputado Eduardo Bolsonaro, apenas para dar tranquilidade aos nossos colegas, nossos amigos do PSL”.
A proximidade entre relator e investigado gerou críticas entre parlamentares da oposição, que apontam risco de favorecimento. “Com esse relator, é marmelada à vista”, disse um deputado do PSOL, sob condição de anonimato.
Eduardo Bolsonaro é alvo de representação apresentada pelo PT, que o acusa de agir contra os fundamentos da República e de usar a imunidade parlamentar para atacar instituições brasileiras. Durante licença de 120 dias, o deputado permaneceu nos Estados Unidos, onde articulou sanções contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Marcelo Freitas também já criticou decisões de Moraes. Em julho, classificou como “absurda” a medida que impediu Jair Bolsonaro de usar redes sociais e afirmou que o país vive uma “ditadura do Poder Judiciário”.
Cabe ao relator decidir se há elementos para dar continuidade ao processo ou se ele deve ser arquivado. A instrução tem prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais dez. Ao final, o parecer será votado pelo Conselho e, se aprovado, segue para deliberação no plenário da Câmara.
Eduardo Bolsonaro ainda responde a outras três representações no Conselho de Ética, todas sem data definida para análise.
A reportagem procurou o deputado Marcelo Freitas, que não se manifestou até a publicação deste texto. Eduardo Bolsonaro também não respondeu aos questionamentos enviados por e-mail.
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