O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, revelou nesta sexta-feira (26) a existência de uma célula de elite dentro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), denominada “Restrita Tática”, especializada em atentados contra autoridades e no uso de armamento pesado. A declaração foi feita durante o Simpósio Nacional de Segurança Pública, realizado na capital paulista.
Segundo Derrite, o grupo é composto por criminosos treinados para executar ações com alto grau de precisão e violência, como a que resultou no assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, em agosto deste ano.
“O PCC tem uma célula chamada ‘Restrita Tática’, formada por criminosos com treinamento específico para atacar autoridades e utilizar armamentos de grosso calibre”, afirmou o secretário.
Fontes foi morto em uma emboscada na zona sul da capital paulista. Investigações apontam que os autores do crime utilizaram táticas militares e armamento de guerra, como fuzis, para executar o ataque.
Derrite classificou a ação como “profissional” e indicou que não há dúvidas sobre o envolvimento da facção. “Não resta dúvida de que o PCC está por trás da morte do ex-delegado-geral”, declarou.
Entre os suspeitos identificados estão Felipe Avelino da Silva, conhecido como “Mascherano”, e Dahesly Oliveira Pires, apontados como responsáveis pela logística da operação criminosa. Ambos têm histórico de envolvimento com o tráfico de drogas e já foram alvos de investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).
A Secretaria da Segurança Pública mobilizou forças especiais para capturar os envolvidos e reforçou o monitoramento de agentes públicos que possam estar sob ameaça. “Estamos diante de uma nova configuração do crime organizado, que não apenas desafia o Estado, mas busca desestabilizar suas instituições”, alertou Derrite.
Especialistas em segurança pública consultados pela imprensa classificaram a atuação da “Restrita Tática” como uma evolução preocupante na estrutura do PCC, que há anos mantém influência dentro e fora dos presídios paulistas.
A facção, segundo os analistas, tem ampliado sua capacidade de ação com treinamento militar, inteligência logística e armamento de uso restrito.
A morte de Fontes reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade de autoridades frente ao crime organizado e a necessidade de revisão nas estratégias de proteção institucional. Derrite defendeu maior integração entre os poderes e reforço na legislação penal para enfrentar o avanço das facções. “Não podemos permitir que o crime organizado dite as regras. O Estado precisa reagir com firmeza e inteligência”, concluiu.
O caso segue sob investigação, com apoio do Ministério Público e da Polícia Civil. A SSP não descarta novas operações nos próximos dias.





