ASSISTA A FALA DA SENADORA
Em discurso durante evento promovido pelo Grupo LIDE – 4º Brazilian Summit – na manhã desta terça-feira (11), em Brasília, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) defendeu a ampliação da participação feminina nos espaços de poder e destacou a necessidade de ações coercitivas, como cotas, para combater a desigualdade de gênero no Brasil.
“Não podemos estar falando apenas para nós mulheres, precisamos estar falando para os homens”, afirmou logo no início da palestra. “Infelizmente, o nível de preconceito e exclusão está dentro do universo masculino, numa sociedade ainda muito machista.”
A senadora iniciou sua fala cumprimentando os homens presentes, ressaltando a importância de que eles “ouçam e, sobretudo, expandam a mensagem que está sendo exposta aqui por todas nós mulheres”. Também saudou as colegas parlamentares Soraya Thronicke e Ana Amélia, a quem chamou de “referência” e “inspiração”.
Gestão feminina e impacto social
Ao comentar o tema do evento — “O impacto e os diferenciais da gestão feminina” — Eliziane destacou que compreender o papel da mulher nos setores público e privado é essencial para promover a igualdade social.
“O maior desafio que temos hoje no Brasil, assim como em outros países continentais, é fazer com que a igualdade social ocorra.”
Ela apontou que os bolsões de pobreza e vulnerabilidade estão justamente onde o poder público não chega, afetando principalmente as mulheres. “A mulher, quando recebe seu recurso, investe 100% na família. Mas ainda ganha 25% menos que os homens.”
Desigualdade nos três poderes
A senadora citou dados do Instituto Patrícia Galvão, segundo os quais o Brasil levará cem anos para alcançar igualdade entre homens e mulheres. “Na magistratura, a mulher entra por mérito, somos maioria nas universidades. Mas nos cargos de cúpula, a participação feminina é de apenas 15%.”
Ela mencionou o Supremo Tribunal Federal (STF), que conta com apenas uma ministra, Carmen Lúcia, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde as mulheres também são minoria. “Nos principais tribunais brasileiros, ainda somos minoria.”
Cotas como instrumento de transformação
Para Eliziane, é necessário adotar cotas e medidas coercitivas para garantir avanços. “As mulheres na gestão pública têm um trato diferenciado. Isso não é apenas uma luta de classe, é um resultado lá na ponta, que representa mudança para o cidadão.”
Ela citou exemplos internacionais de liderança feminina durante a pandemia de Covid-19, como Jacinda Ardern, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, e Angela Merkel, ex-chanceler da Alemanha. “Ambas enfrentaram a crise com comunicação transparente e decisões firmes, dando exemplo ao mundo.”
A senadora também destacou iniciativas no setor privado, como a atuação de Luiza Trajano, que promoveu inclusão racial e de gênero em sua empresa, e o Grupo Sabin, com 77% de mulheres e 74% delas em cargos de liderança. “Quando colocamos a mulher em cargo estratégico, o resultado é latente, é para todos e todas.”
Ela reforçou que a luta pela igualdade não é contra os homens, mas pela isonomia. “Se não tivermos ação coercitiva, nunca chegaremos à igualdade que tanto lutamos.”
Avanços e desafios históricos
Eliziane lembrou que há cem anos as mulheres sequer tinham direito ao voto ou acesso à universidade sem autorização do marido. “Avançamos, mas ainda estamos longe do ideal. Só chegaremos lá quando encontros como este ocorrerem em todas as esferas de poder.”
Encerrando sua participação, a senadora reiterou a importância das cotas. “Mais do que uma medida temporária, elas representam um valor inestimável. Quando tivermos homens e mulheres em pé de igualdade, teremos uma sociedade mais justa, um Brasil melhor.”




