Psicóloga, terapeuta integrativa e escritora Janete Munhoz Melendez durante entrevista ao BC TV


“A mente organiza a matéria, e o espírito é a essência da cura.”

Com essa afirmação, a psicóloga, terapeuta integrativa e escritora Janete Munhoz Melendez abriu sua entrevista nesta quinta-feira (2), no Jornal BC TV, conduzida por Germano Oliveira e Camila Srougi.

Em uma conversa profunda e reveladora, Janete compartilhou sua visão sobre a saúde como um processo integral que envolve corpo, mente e espírito — e defendeu a importância da espiritualidade como caminho legítimo de cura.

Continua depois da publicidade

Autora do livro Curas Espirituais – A Medicina da Alma e o Poder do Amor, Janete falou sobre sua atuação na Casa dos Irmãos Samaritanos (CISA), instituição que há três décadas acolhe pessoas em sofrimento e realiza cirurgias espirituais, algumas já reconhecidas pelo SUS.

Segundo ela, os tratamentos espirituais não são apenas uma alternativa à medicina tradicional, mas uma resposta à desconexão emocional e energética que afeta milhões de pessoas.

Entre os temas abordados na entrevista, destacam-se:

A definição de doença como desequilíbrio biopsicossocial e espiritual
A influência dos pensamentos e emoções na saúde física
A força da fé, da oração e da energia espiritual como agentes de transformação
Depoimentos reais de cura, como o de uma jovem que recuperou os movimentos após cirurgia espiritual

Leia a seguir alguns dos principais pontos da entrevista ao BC TV:

Camila Srougi: Quando você escreve sobre curas espirituais, está se referindo a um processo de autoconhecimento, a uma prática religiosa ou a um encontro entre diferentes áreas da saúde?

Janete Munhoz Melendez: Um encontro. Porque nós somos corpo, mente e espírito. Somos integrantes. Temos uma energia gigante — matéria é igual a energia. E o homem, naturalmente, quando se esquece disso, sempre vai buscar a medicina da Terra. E, lógico, devemos buscar essa energia que vem da medicina da Terra, mas sem esquecermos da medicina da alma, né? Porque somos espíritos, e essa é a realidade única que temos, não é?

Então, quando adoecemos, o que encontramos pelo caminho é exatamente a condição de buscar algo ali. É uma integralidade. Corpo, mente e espírito trazem um caminho de autoconhecimento muito bonito, muito lindo e renovador, sem sombra de dúvidas.

Camila Srougi: De acordo com a medicina tradicional, a doença é quando algum órgão ou alguma parte do corpo não está funcionando direito. Como você definiria a doença dentro desse conceito integral?

Janete Munhoz Melendez: A doença atinge todos os aspectos do ser humano. Quando olhamos a definição da Organização Mundial da Saúde, sabemos que a doença é biopsicossocial. Então, podemos estar doentes socialmente, psicologicamente e emocionalmente.

Quando olhamos para um corpo doente, pelo lado espiritual, essa mente começou a ficar doente muito antes do corpo, não é? A mente adoeceu por estresse, por cansaço, e isso vai causando depressão, síndrome do pânico. Então, a categoria psicológica das doenças emocionais é forte. E aí chega um momento em que o corpo ressente isso.

Como psicóloga, lógico, eu olho para esse lado do corpo. Acredito piamente que devemos unir essas duas jornadas.

Não podemos esquecer do espírito. Se esquecemos do espírito, esquecemos exatamente da nossa essência e ficamos só com os medicamentos psiquiátricos. A psicologia abarca essa região muito maior do que apenas e tão somente a mente. Ela rege nosso estilo de vida, nosso despertar, nossa construção. Se os teus pensamentos vivem dentro de uma jornada de tristeza, angústia, reclamação — como vemos hoje, essas notícias que nos entristecem —, como vamos encontrar outro caminho além dessas notícias materiais que chegam todos os dias, não é?

Temos que buscar outra porta. Uma porta que traga alegria, limpeza, conexão com algo superior. Sem isso, a cura integral não acontece. Vai ser um paliativo. O remédio é um paliativo necessário. Mas, em geral, o remédio consegue aliviar uma dor de cabeça que você está tendo porque teve um estresse, trabalhou demais, pegou um trânsito imenso. Agora, o cansaço emocional, o cansaço contínuo, a desconexão com o teu espírito, aquele momento de meditação que deveríamos ter, de respirar profundamente, que vamos esquecendo no decorrer do dia… Isso traz outra espécie de cura. Um relaxamento, uma sustentação. É um momento em que a alma conversa com ela mesma.

Sem esse encontro, é impossível o ser humano ter a integralidade do ser. Ele vai descobrir isso quando perder completamente o sentido de levantar com alegria, com disposição, com contentamento. Porque esgotou a energia dele. Isso sim é o que nossos pais têm assistido.

Germano Oliveira: Você dirige há 30 anos a Casa dos Irmãos Samaritanos, que acolhe milhares de pessoas em busca de cura, acolhimento e transformação interior. Junto com a casa, você tem também um hospital espírita e realiza cirurgias espirituais. Esses tratamentos já são reconhecidos até pelo SUS hoje. Quais os principais efeitos que você alcança lá com os médicos espirituais?

Janete Munhoz Melendez: O livro traz depoimentos. Durante todo esse tempo, recebemos uma quantidade de relatos impressionante. Hoje, as curas espirituais são muito mais divulgadas, não apenas como uma crendice. Acho importante colocarmos isso, porque simplesmente é algo natural da vida. Somos espíritos. Quando buscamos a cura espiritual, temos depoimentos de cura nessa integralidade.

A pessoa já passou por todos os tipos de tratamentos. O que mais encontramos, Germano, é assim: a pessoa busca esse processo de cura espiritual quando a medicina terrena já não tem mais o que oferecer. De certa forma, acolhemos essa pessoa que está em desespero, que não tem mais onde buscar solução. E, quando ela inicia esse tratamento, já sente.

Todos os depoimentos trazem essa transformação: um acolhimento maior, a crença, a fé, a oração — hoje são determinantes para mudarmos um comportamento. Neurologicamente, as pesquisas científicas mostram profundamente o quanto a mente organiza a matéria. Não podemos deixar de olhar para toda essa pesquisa.

Trazemos o depoimento de uma pessoa que teve um acidente de carro e, então, uma paralisia. Uma pessoa extremamente jovem. Ela teve um diagnóstico de que ficaria o resto da vida numa cadeira de rodas. Esse depoimento é maravilhoso porque essa pessoa volta. Não posso deixar de dizer que fomos ao hospital fazer essa cirurgia — porque não fazemos cirurgia só dentro da Casa dos Irmãos Samaritanos.

A ciência acolhe milhares de pessoas, e as curas que acontecem lá dentro são realmente dignas de serem compartilhadas com a população. Da mesma maneira que pessoas podem ter um ótimo plano de saúde, ir a ótimos hospitais e ainda assim receber o diagnóstico de que vão ficar tetraplégicas, sem mais movimentos… Não é porque aquele hospital não tem recursos, é porque a ciência vai até um ponto e não consegue ir além.

O que assistimos é que a espiritualidade trabalha com essa energia — e essa energia é altamente transformadora. A fé, a esperança, a oração trabalham como condutores para dentro desse corpo e reajustam células. Quando temos um depoimento como esse, de uma pessoa que passou pelos melhores médicos, que fez todo um tratamento hospitalar, mas que encontrou na cirurgia espiritual a recuperação — isso mostra que temos curas que são milagres. E o que é milagre? Algo que a ciência ainda não explicou.

📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV: