O senador Cleitinho em vídeo. (Foto: Reprodução)


VEJA O VÍDEO DO SENADOR:

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) gravou um vídeo no estacionamento do Senado em que mostra os carros de luxo oficiais usados pelos parlamentares e autoridades, abastecidos com combustível pago pela população, e fala sobre o fim da escala de trabalho de 6×1 em análise na Câmara dos Deputados, que enfrenta lobby de setores contrários.

Na gravação, o parlamentar afirma que os privilégios da classe política — como veículos de luxo e plano de saúde vitalício — são os verdadeiros responsáveis pelo desequilíbrio das contas públicas, e não a jornada de trabalho 6×1 dos trabalhadores brasileiros.

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“Será que querem acabar com a escala 6×1 como se fosse o problema do país? Que vai quebrar o país? Deixa eu mostrar pra vocês o que quebra o país. Olha o carrão oficial aí, ó. Todos os senadores. Além do plano de saúde vitalício, tem esse carrão aqui. É esse aqui que quebra o país”, disse.

Cleitinho ampliou a crítica ao afirmar que os benefícios não se restringem ao Senado:

“É na Câmara, tem. É no Tribunal de Contas, tem. É no Judiciário, tem. É no STF, tem. E quem paga essa conta é o povo brasileiro.”

O senador comparou a jornada de trabalho dos brasileiros com a dos políticos. Segundo ele, um trabalhador com carteira assinada cumpre 300 dias de trabalho por ano e descansa 65, enquanto parlamentares e autoridades da cúpula do Judiciário trabalham 150 dias e folgam 250.

“Olha o detalhe: eles folgam mais do que trabalham. E quem paga essa conta, pra essa mordomia, é você. Por isso que eu vou até o fim pra acabar com essa escala 6×1”, declarou.

O vídeo foi divulgado nas redes sociais.

Comissão apresenta cronograma

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa as propostas de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 definiu um calendário para concluir a votação até 27 de maio. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou nesta terça-feira (5) o cronograma que prevê cinco audiências públicas e seminários regionais em três capitais.

O primeiro debate ocorre nesta quarta-feira (6), com a participação do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. As audiências seguintes abordarão temas como impactos econômicos (12/5), aspectos sociais (13/5), perspectiva dos empregadores (18/5) e dos trabalhadores (19/5).

Além disso, estão previstos seminários regionais em João Pessoa (7/5), Belo Horizonte (14/5) e São Paulo (21/5). O relatório final deve ser apresentado em 20 de maio, com votação na comissão no dia 26 e análise no Plenário no dia seguinte.

“A minha luta vai ser sempre a de construir consensos, com cronograma ágil para atender à votação esperada por essa Casa e pelo Brasil no dia 27 de maio”, afirmou Prates.

As discussões terão como base duas Propostas de Emenda à Constituição: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas; e a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que propõe semana de quatro dias de trabalho, limitada a 36 horas.

O presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), destacou o caráter histórico do debate e citou apoio popular à mudança.

“Hoje nós temos representações de trabalhadores e do mundo empresarial, ou seja, é possível todo mundo estar na mesma mesa”, disse.

O programa Câmara pelo Brasil, coordenado pelo deputado Da Vitoria (PP-ES), também será usado para ampliar a discussão nos estados e municípios.

Até agora, a comissão aprovou 50 requerimentos, a maioria relacionada a audiências públicas e estudos técnicos. Representantes de trabalhadores e empregadores já participaram de reuniões informais.