Ilustração da reportatem publicada pelo britânico Financial Trump. (Reprodução)

Jornal britânico disse que a direita brasileira busca um “novo líder” para enfrentar Lula na eleição do ano que vem; Tarcísio é citado, mas afirma que ele teria uma disputa “difícil” concorrendo contra o atual presidente.

Reportagem do jornal britânico Financial Times afirma que a direita brasileira busca um novo líder após o que descreve como a “autodestruição do clã Bolsonaro” — em referência à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e às disputas internas envolvendo seus filhos, a esposa e aliados políticos.

Segundo o jornal, Bolsonaro, 70, foi um presidente de direita que tinha Donald Trump como referência e tentava construir uma dinastia política no Brasil. Preso sob acusação de conspiração para dar um golpe de estado, ele enfrenta crise em seu movimento político, marcado por erros atribuídos aos filhos.

A publicação afirma que a estratégia da família de buscar apoio em Washington “saiu pela culatra”, e cita o lobby do deputado Eduardo Bolsonaro por tarifas contra o Brasil como fator de desgaste, por ter irritado empresários e exposto o parlamentar a críticas internas.

De acordo com o Financial Times, parte da força política da família estava na capacidade de captar o sentimento popular. As tentativas de libertar Bolsonaro com apoio de Trump, porém, são descritas como fracassadas.

O jornal aponta o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como um dos principais nomes da direita para a eleição presidencial de 2026. Segundo a reportagem, ele só aceitaria disputar se tivesse apoio de Bolsonaro e se o ex-presidente desistisse de lançar um dos filhos.

Analistas ouvidos pelo jornal avaliam que, com a saúde debilitada e a campanha por indulto fracassada, Bolsonaro pode permanecer preso pelo resto da vida. Para eles, a melhor chance de evitar esse desfecho seria a família abrir mão de lançar outro Bolsonaro e apoiar um novo candidato conservador.

Ainda segundo o Financial Times, mesmo que Tarcísio conquiste o apoio dos bolsonaristas mais radicais — estimados em cerca de 20% do eleitorado —, enfrentaria uma disputa difícil contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula já declarou intenção de concorrer a um quarto mandato e, segundo o jornal, se beneficia do bom desempenho da economia, com crescimento de empregos e salários, além da baixa dependência do mercado americano, que teria protegido o país dos efeitos das tarifas de Trump.

A publicação afirma que a principal esperança da direita é que temas como criminalidade e segurança pública, considerados pontos frágeis do governo Lula, ganhem centralidade na campanha.