As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de tomar a Groenlândia — território autônomo da Dinamarca — já provocam tensão dentro da Otan. Mesmo sem um ataque militar concreto, especialistas afirmam que a credibilidade da aliança foi abalada e defendem que os países europeus precisam reagir com mais firmeza.
A Otan possui planos detalhados para enfrentar ameaças externas, mas não dispõe de mecanismos claros para lidar com riscos internos, como os criados por um de seus próprios membros. Até agora, a estratégia do secretário-geral, Mark Rutte, tem sido o silêncio, considerado insustentável diante da escalada retórica.
Reação da Dinamarca
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que qualquer ação militar dos EUA contra outro país da Otan colocaria em risco toda a aliança e a segurança construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Impacto político
Analistas avaliam que a situação favorece adversários estratégicos, como a Rússia. Patrik Oksanen, do Fórum do Mundo Livre de Estocolmo, afirmou que o cenário atual seria “um sonho dourado” para antigos líderes soviéticos. A tensão aumentou após declarações de assessores de Trump e uma postagem nas redes sociais sugerindo a anexação da Groenlândia.
Ed Arnold, ex-funcionário da Otan, destacou que a crise mina valores de confiança que sustentam a aliança. Para ele, até mesmo discutir o tema dentro da organização transmite fragilidade, já que a ameaça parte de um dos próprios aliados.
Possíveis respostas
Entre as alternativas discutidas estão o envio de tropas europeias para a Groenlândia, como forma de dissuadir qualquer ação unilateral dos EUA. Steven Everts, do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, defende medidas concretas para reforçar a segurança no Ártico, mas alerta que não se deve agir apenas para apaziguar Trump.
Pressão política e econômica
Parlamentares dinamarqueses também se manifestaram. Anders Vistisen, do Partido Popular Dinamarquês, pediu uma resposta clara e firme a Washington, rejeitando concessões militares ou econômicas. Já Per Clausen, da esquerda, sugeriu suspender acordos comerciais favoráveis aos EUA como forma de pressão.
União Europeia
Em Paris, líderes de Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido apoiaram a posição da Dinamarca e da Groenlândia, reafirmando que cabe apenas a elas decidir sobre seu futuro. Para Everts, o gesto demonstra seriedade, embora analistas como Oksanen considerem que será necessário ainda mais firmeza.


