O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou como “tiro no pé” a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao país. A declaração foi feita nesta segunda-feira (29), durante a Conferência Itaú BBA Macro Vision 2025, em São Paulo.
Para Haddad, a medida cria um “clima artificial de animosidade” entre as duas nações e compromete não apenas o comércio bilateral, mas também o consumidor americano.
“Acho que foi um tiro no pé deles, inclusive para a economia americana. Não faz o menor sentido pagar mais caro por café, carne”, afirmou o ministro, ao defender que o debate sobre o tarifaço seja conduzido de forma racional e apartada de interesses políticos.
Tarifa como arma política
Haddad criticou o uso de tarifas como instrumento de pressão diplomática, classificando a estratégia como equivocada.
“Tentar usar tarifa como arma política deveria ser corrigido o quanto antes”, disse. Segundo ele, o governo brasileiro tem se empenhado em explicar aos interlocutores internacionais o funcionamento dos poderes no Brasil e evitar reações precipitadas.
Apesar da aprovação da Lei da Reciprocidade Econômica pelo Congresso Nacional, o governo Lula optou por não retaliar com medidas tarifárias, apostando no diálogo como caminho para a resolução do impasse.
A expectativa é que o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido brevemente na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, abra espaço para negociações econômicas mais construtivas.
Reformas e crescimento
Durante o evento, Haddad também destacou o impacto das reformas em curso sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) potencial do Brasil. Segundo ele, o país já avançou de 1,5% para 2,5% de crescimento potencial, impulsionado por mudanças estruturais em áreas como economia digital, economia verde, seguros, crédito e tributação.
“Podemos crescer na média ou acima da média mundial, como aconteceu nos dois primeiros mandatos do presidente Lula”, afirmou o ministro, reforçando o compromisso do governo com as metas fiscais estabelecidas para 2026.
Haddad defendeu uma abordagem econômica que leve em conta a justiça social. “Essa dissociação entre o econômico e o social não faz sentido para um economista bem informado. É preciso buscar o bem-estar das pessoas também”, disse, ao justificar a agenda do Ministério da Fazenda voltada para a melhoria do ambiente de negócios com inclusão.
COP30
Ao abordar a realização da COP30, marcada para novembro em Belém (PA), o ministro ressaltou o protagonismo do Brasil nos debates sobre meio ambiente e sustentabilidade. Ele citou o anúncio feito por Lula, em Nova York, de que o país investirá US$ 1 bilhão no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa voltada à conservação das florestas tropicais.
“A COP30 será diferente de todas as outras. As pessoas vão estar no coração da floresta discutindo o que precisa ser discutido”, afirmou Haddad, reforçando o papel do Brasil como referência global na agenda verde.





