O fundador da Microsoft, Bill Gates, que tem outra ideia sobre a mudança climática. (Reprodução)

Durante sua participação na abertura do Bloomberg Green Summit, realizado em São Paulo, nesta terça-feira (4), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou o compromisso do Brasil com a transição energética e respondeu diretamente às declarações recentes de Bill Gates.

O bilionário e cofundador da Microsoft havia minimizado os riscos da mudança climática em seu blog pessoal, sugerindo que o foco deveria estar em saúde e prosperidade, e não apenas na temperatura global.

Haddad, em tom firme, destacou que “independentemente do que o Bill Gates ache, o Brasil tem energia limpa e barata. Não faz sentido trocá-la por energia suja e cara”. Segundo o ministro, o país possui vantagens competitivas alinhadas à agenda climática, e não abrirá mão de sua liderança nesse campo.

Ele também reforçou a relevância dos biocombustíveis, lembrando que o Brasil tem quatro décadas de tradição nesse setor, e que o fortalecimento do marco regulatório do setor elétrico continuará, mesmo diante de pressões de lobbies.

Outro ponto de destaque foi a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa apoiada pelo Banco Mundial e considerada prioridade brasileira na presidência da COP30. Haddad afirmou que preservar florestas é uma ação de baixo custo com benefícios universais, e que o fundo pode gerar resultados práticos e eficientes.

No campo econômico, o ministro apresentou um panorama otimista. Ele mencionou avanços na reforma tributária, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil e a queda histórica na taxa de desemprego. Haddad também celebrou o número recorde de leilões de infraestrutura na B3, resultado de reformas estruturais que, segundo ele, têm melhorado o ambiente de negócios e atraído investidores.

Sobre o quadro fiscal, Haddad reafirmou o compromisso com a meta de déficit zero em 2025, com tolerância de até 0,25% do PIB. Para 2026, a meta é de superávit primário de 0,25%, também com margem de ajuste. Mesmo após a rejeição de medidas provisórias que previam aumento de impostos sobre apostas e aplicações financeiras, o ministro garantiu que não haverá elevação de tributos, e que o governo busca alternativas para fechar o orçamento.

Por fim, Haddad voltou a criticar os altos juros praticados no país. Ele defendeu a redução da taxa básica, a Selic, que chegou a 15% ao ano, colocando o Brasil como o segundo maior juro real do mundo. “Não tem como manter 10% de juro real com inflação de 4,5%”, afirmou, reforçando que, se estivesse no Comitê de Política Monetária, votaria pela queda das taxas.

Com uma postura assertiva e embasada, Haddad mostrou que o Brasil pretende seguir firme em sua trajetória de desenvolvimento sustentável, conciliando responsabilidade fiscal, crescimento econômico e liderança climática.