A Patagônia argentina enfrenta, mais uma vez, o avanço implacável do fogo.
A Patagônia tem importância ambiental estratégica para o equilíbrio do clima global. Ela abriga os Campos de Gelo Sul e Norte, que constituem a terceira maior reserva de água doce congelada do planeta, atrás apenas da Antártida e da Groenlândia.
Desde o início da semana, um incêndio florestal de grandes proporções já devastou mais de 5.500 hectares de mata nativa — uma área equivalente a cerca de 7.700 campos de futebol — e colocou em alerta máximo comunidades inteiras da província de Chubut, no sudoeste do país.
O fogo, que teve início na segunda-feira (5) na região de Puerto Patriada, próximo ao Lago Epuyén, se espalhou rapidamente por conta das condições climáticas adversas, como ventos fortes e temperaturas elevadas. Neste domingo (11), as chamas cercavam a localidade de Epuyén, um vilarejo de pouco mais de dois mil habitantes, situado entre colinas arborizadas e um lago glacial.
“É um inferno”, escreveu Flavia Broffoni, moradora da região, em sua conta no Instagram. “Há focos de incêndio por toda parte; um novo é relatado a cada cinco minutos.” Broffoni é uma das dezenas de voluntários que se somaram aos esforços de contenção do fogo, ao lado de cerca de 500 integrantes das forças de segurança, bombeiros, brigadistas e equipes de resgate.
A magnitude do desastre remete à tragédia vivida há pouco mais de um ano, quando a Patagônia registrou os piores incêndios florestais em três décadas. Desde então, a região tem enfrentado uma sucessão de eventos extremos que colocam à prova a capacidade de resposta dos sistemas de combate ao fogo, tanto oficiais quanto comunitários.
O governador de Chubut, Ignacio Torres, alertou que as próximas 48 horas serão decisivas. “O incêndio já atingiu mais de 5.500 hectares de áreas rurais e de mata nativa. Nas próximas horas, os trabalhos continuarão nos setores mais críticos, com reforço das linhas de aceiro, resfriamento de focos quentes e abertura de estradas”, afirmou em publicação na rede social X (antigo Twitter).
A operação de emergência inclui a evacuação de cerca de três mil turistas que estavam em Puerto Patriada e de 15 famílias residentes em áreas ameaçadas. Mais de dez casas foram destruídas pelas chamas. Reforços de brigadistas e aeronaves de combate ao fogo são esperados da província de Córdoba e do Chile.
Enquanto o fogo avança, a população local se mobiliza como pode. Em meio à fumaça espessa e ao som constante de sirenes, a solidariedade se impõe como única resposta possível diante da devastação. “Estamos exaustos, mas não vamos parar”, disse um voluntário à rádio local.
A crise na Patagônia reacende o debate sobre a preparação das autoridades frente às mudanças climáticas e à crescente frequência de incêndios florestais na região andina. Para os moradores, no entanto, a urgência é outra: salvar o que ainda resta.



