O vereador do PL Rony Gabriel: denunciou a armação. (Reprodução)


ASSISTA AQUI OS VÍDEOS GRAVADOS POR DOIS INFLUENCIADORES QUE DENUNCIARAM O ESQUEMA:

Em dezembro passado, influenciadores digitais receberam propostas para publicar vídeos questionando a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central. O plano, batizado de Projeto DV, previa remuneração milionária e foi articulado por representantes da empresa de marketing UNLTD Brasil.

O vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel, do PL, com mais de 1,7 milhão de seguidores, afirmou ter sido abordado por André Salvador, ligado à agência. “A proposta era clara: gravar vídeos dizendo que o Banco Central havia agido de forma precipitada. Eu recusei imediatamente”, declarou Gabriel ao Estadão. A jornalista e influenciadora Juliana Moreira Leite também confirmou ter recebido oferta semelhante. “Tentaram me convencer de que se tratava de um serviço de reputação para um grande executivo. Não aceitei”, disse.

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Segundo apuração de O Globo, o projeto buscava repercutir um despacho do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontava “indícios de precipitação” na decisão do BC. Em alguns casos, os contatos incluíam a promessa de pagamentos milionários para quem aceitasse participar da campanha. O influenciador Paulo Cardoso chegou a publicar vídeo questionando a atuação da autoridade monetária, mas não esclareceu se havia recebido remuneração.

A liquidação do Banco Master foi decretada em 20 de dezembro de 2025, após o BC identificar problemas de solvência e riscos para o sistema financeiro. O episódio provocou reação imediata do mercado e abriu espaço para disputas políticas. O TCU solicitou explicações formais ao Banco Central, reforçando a narrativa de que a decisão poderia ter sido tomada de forma apressada.

O caso expõe a tentativa de manipulação da opinião pública por meio de influenciadores digitais, prática que levanta dúvidas sobre a transparência das relações entre instituições financeiras e empresas de comunicação. “Estamos diante de uma estratégia que buscava transformar influenciadores em instrumentos de pressão contra uma decisão regulatória”, avaliou um especialista.

A repercussão levou parlamentares a pedir investigação sobre a origem dos recursos oferecidos e sobre a responsabilidade da agência envolvida. O Banco Central, por sua vez, reiterou que a liquidação seguiu critérios técnicos e que não houve precipitação.