O Irã acusou os Estados Unidos de matar cinco civis em ataques realizados na segunda-feira (4) contra embarcações no Estreito de Ormuz.
Segundo um comandante iraniano, os militares americanos atingiram dois barcos de passageiros que seguiam para a costa iraniana, e não embarcações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), como havia afirmado Washington.
A versão contradiz declaração do almirante Brad Cooper, do Comando Central (Centcom), que disse que forças americanas afundaram seis embarcações do IRGC que tentaram interferir em uma operação de escolta de navios. O presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o número para sete barcos.
A operação, batizada de “Projeto Liberdade”, abalou o cessar-fogo firmado entre os dois países em 8 de abril e reacendeu temores de retomada da guerra. A emissora estatal iraniana IRIB informou que Teerã abriu investigação e concluiu que os EUA destruíram barcos civis, matando cinco passageiros. “Os EUA devem ser responsabilizados por seus crimes”, disse o comandante.
Não houve comentário imediato das forças armadas americanas.
Escalada regional
O episódio ocorre em meio ao bloqueio imposto pelo Irã ao estreito, após ataques dos EUA e de Israel em fevereiro. A interrupção da rota marítima, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, provocou alta nos preços de energia e fertilizantes e aumentou o risco de recessão global.
Autoridades iranianas afirmaram que manterão o controle da passagem e cobrarão taxas de trânsito como reparação. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que os EUA violaram o cessar-fogo e comprometeram a segurança da navegação.
Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de lançar drones e mísseis contra seu território, atingindo uma refinaria em Fujairah e ferindo três pessoas. Uma embarcação sul-coreana também relatou explosão a bordo. Já os EUA afirmaram que dois navios com bandeira americana cruzaram o estreito escoltados por destróieres.
Reações
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que os incidentes mostram que “não há solução militar para uma crise política” e defendeu negociações de paz com mediação do Paquistão. Trump, por sua vez, ameaçou “destruir o Irã da face da Terra” caso navios americanos sejam atacados.



