O Irã ameaçou neste domingo (11) atacar Israel e bases americanas no Oriente Médio caso os Estados Unidos intervenham nos protestos que acontecem há duas semanas contra a República Islâmica. A polícia informou ter realizado uma onda de prisões de líderes do movimento, que serão punidos, segundo o chefe da Polícia Nacional, Ahmad Reza Radan, em pronunciamento na TV estatal.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que apoiará os manifestantes caso haja repressão. “O Irã quer liberdade” e “os Estados Unidos estão prontos para ajudá-lo”, escreveu no sábado (10) em sua rede social Truth.
Segundo fontes israelenses, a possibilidade de intervenção americana foi discutida em ligação entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o secretário de Estado Marco Rubio. Israel colocou suas forças em “alerta máximo”, mas não detalhou o que isso significa. Até agora, o governo israelense não anunciou intenção de intervir. Em entrevista à revista The Economist, Netanyahu afirmou que um ataque iraniano teria “consequências terríveis” e disse que é preciso observar os protestos internos.
“Alvos legítimos”
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que, em caso de ataque contra o Irã, “os territórios ocupados [Israel] e as bases e navios americanos serão nossos alvos legítimos”. Ele alertou os EUA contra qualquer “erro de cálculo”.
Israel e Irã já se enfrentaram em junho passado, durante 12 dias. Os EUA apoiaram Israel bombardeando instalações nucleares iranianas. Teerã retaliou com mísseis contra a base americana de Al Udeid, no Catar, sem deixar vítimas.
Protestos internos
O país vive a maior onda de manifestações desde o movimento “Mulheres, Vida, Liberdade” (2022-2023), iniciado após a morte da estudante Mahsa Amini sob custódia da polícia da moralidade. Os atuais protestos começaram em 28 de dezembro, liderados por comerciantes do bazar de Teerã contra a inflação e a desvalorização do rial. O governo acusa EUA e Israel de fomentarem a revolta.
A polícia anunciou prisões de figuras-chave do movimento, sem detalhar número ou identidade dos detidos. A repressão ocorre em meio a bloqueio da internet. Ainda assim, vídeos circulam nas redes sociais mostrando protestos em várias cidades. A ONG HRANA, com sede nos EUA, afirma que já houve 116 mortes, incluindo 37 agentes de segurança.
A TV estatal exibiu funerais de membros das forças de segurança em cidades como Gachsaran e Yasuj. Um vídeo publicado no sábado mostrou multidões em Teerã batendo em objetos metálicos em protesto. Um alto funcionário da inteligência dos EUA descreveu a situação como um “jogo de resistência” entre oposição e regime.


