O Ministério das Relações Exteriores realizou, neste fim de semana, visitas consulares aos brasileiros detidos em Israel após a interceptação de uma flotilha que seguia em direção à Faixa de Gaza. A ação ocorreu na quarta-feira (1º), quando embarcações da iniciativa Global Sumud foram abordadas pela marinha israelense em águas internacionais.
Segundo o Itamaraty, ao menos 13 brasileiros estão detidos no centro de detenção de Ketziot, no deserto de Negev. Entre os integrantes estão políticos como Luizianne Lins (PT-CE) e Mariana Conti (PSOL-SP), além de ativistas e representantes de movimentos sociais. A flotilha levava ajuda humanitária e buscava abrir um corredor civil para Gaza, bloqueada por Israel desde 2007.
A diplomacia brasileira afirma que os detidos foram julgados sem acesso a advogados e que há denúncias de maus-tratos, como confisco de pertences, restrição de comunicação e condições precárias de encarceramento. Quatro brasileiros iniciaram greve de fome em protesto contra a detenção. Israel nega as acusações e sustenta que a interceptação foi legítima.
Em nota oficial, o governo brasileiro condenou a ação como “arbitrária e ilegal”, classificando a detenção como uma violação da liberdade de navegação e dos direitos humanos. O Itamaraty exige a liberação imediata dos cidadãos brasileiros e acompanha o caso com preocupação.
A delegação brasileira era composta por 17 pessoas. Segundo informações da CNN Brasil, ao menos 12 foram detidas e duas seguem desaparecidas. Os diplomatas realizaram visitas separadas a homens e mulheres, e seguem em contato com autoridades israelenses para garantir a integridade física dos detidos.
A iniciativa Global Sumud reúne ativistas de diversos países e tem como objetivo denunciar o bloqueio à Faixa de Gaza e promover ações de solidariedade internacional. A interceptação da flotilha gerou críticas de organizações de direitos humanos e reacendeu o debate sobre a atuação de Israel na região.



