Uma análise de dados judiciários de 2025 revela que a estratégia de Donald Trump de ocupar tribunais federais com magistrados conservadores produziu um “escudo jurídico” quase intransponível em seu segundo mandato.
Em tribunais de apelação, juízes nomeados pelo republicano votaram a favor de sua agenda em 133 decisões e contra em apenas 12 — um índice de aproveitamento de 92%.
O levantamento do jornal The New York Times, que analisou cerca de 900 casos e 500 ordens judiciais entre janeiro e dezembro, expõe um Judiciário que vota de forma previsível conforme a filiação partidária de quem indicou o magistrado.
O “Muro de Apelação”
Enquanto a Suprema Corte deu vitórias a Trump em 48% das vezes, o alinhamento nas instâncias de recurso (segundo grau) é significativamente maior entre os nomes escolhidos pelo próprio presidente.
Apoio por indicação (todos os níveis):
- Trump: 72%
- Obama: 36%
- Biden: 16%
Contradição Institucional
Os números contrariam a tese de neutralidade defendida pelo presidente da Suprema Corte, John Roberts, que nega a existência de “juízes de presidentes”. Na prática, o levantamento mostra que a resistência jurídica ao governo vem quase exclusivamente de indicados democratas (73% de votos contra), enquanto a ala trumpista atua com uniformidade.
Para o juiz Mark L. Wolf, nomeado por Ronald Reagan, o fenômeno da votação em bloco ameaça a percepção de independência da justiça federal. O perfil dos “superestrelas” de Trump — magistrados jovens e ideologicamente coesos — garantiu a implementação de políticas que, em outros governos, seriam barradas por tribunais intermediários.





