A Justiça suíça decretou nesta sexta‑feira (9) a prisão preventiva de Jacques Moretti, coproprietário e gerente do bar Le Constellation, em Crans‑Montana. O estabelecimento pegou fogo na noite de Ano‑Novo, causando 40 mortes e 116 feridos.
Segundo o Ministério Público do cantão do Valais, Moretti é o principal suspeito no inquérito e apresenta risco concreto de fuga, motivo da medida. Ele e sua esposa, Jessica Moretti, foram ouvidos por mais de seis horas em Sion.
Jacques Moretti possui outros três estabelecimentos na região e já havia sido condenado por proxenetismo em 2008. A prisão vinha sendo solicitada há uma semana por advogados das famílias das vítimas.
Quanto a Jessica Moretti, o Ministério Público considerou que medidas alternativas seriam suficientes para mitigar o risco de fuga. Em declaração breve, ela pediu desculpas às vítimas e familiares.
O casal é formalmente suspeito de homicídio culposo, lesões corporais e incêndio culposo. As decisões do Ministério Público devem ser confirmadas em até 48 horas pelo Tribunal de Medidas Coercitivas.
Luto nacional
A Suíça realizou nesta sexta‑feira um dia de luto nacional. Às 14h (13h GMT), o país observou um minuto de silêncio, seguido pelo toque dos sinos em todas as igrejas.
Uma cerimônia oficial ocorreu em Martigny, com cerca de mil pessoas e a presença de líderes europeus, incluindo Emmanuel Macron e Sergio Mattarella. O presidente suíço, Guy Parmelin, afirmou que o país segue consternado e pediu transparência sobre as falhas apontadas.
Em Crans‑Montana, moradores e turistas acompanharam a homenagem diante de um altar improvisado em frente ao bar.
Circunstâncias do incêndio
O bar não passava por inspeções de segurança desde 2019. De acordo com os primeiros elementos do inquérito, o fogo teria começado quando velas vulcão entraram em contato com espuma acústica no teto do subsolo.
Na noite de Ano‑Novo, o local estava lotado, em sua maioria por jovens. Vídeos mostram correria e empurrões durante a tentativa de fuga.
No total, pessoas de 19 nacionalidades foram atingidas. Oitenta e três feridos seguem hospitalizados na Suíça e em países vizinhos.
A primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou que o incêndio foi resultado de negligência e prometeu justiça às famílias.





