O presidente Lula, que hoje abre encontro com líderes globais. (Foto: Ricardo Stuckert)

A Cúpula dos Líderes da COP30 tem início nesta quinta-feira (6), em Belém (PA), com a presença de mais de 50 chefes de Estado e de governo. Pela primeira vez, o encontro ocorre antes da abertura oficial da Conferência do Clima da ONU, marcada para o dia 10, e busca estabelecer as diretrizes políticas que devem orientar as negociações climáticas nas duas semanas seguintes.

Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e organizada pela presidência brasileira da COP30, a cúpula reúne representantes de cerca de 140 países, incluindo vice-presidentes e ministros. O evento não tem caráter deliberativo, mas pretende oferecer um “termo de referência” político para os negociadores, segundo o Itamaraty.

Lula será o responsável por abrir oficialmente a cúpula, após uma série de reuniões bilaterais. O presidente também deve apresentar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund, TFFF), iniciativa que pretende recompensar financeiramente países que preservam suas florestas tropicais.

O fundo, estruturado como uma carteira de renda fixa voltada ao financiamento climático, busca captar cerca de R$ 625 bilhões (US$ 125 bilhões) por meio de aportes públicos e privados, além da emissão de títulos no mercado financeiro. A operação utiliza alavancagem financeira para multiplicar o capital inicial e gerar retorno acima do custo do fundo.

A diferença entre o rendimento obtido e o valor pago aos investidores será destinada a países que conservam florestas tropicais, proporcionalmente à área preservada. O modelo prevê pagamento anual por hectare, com destinação mínima de 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades locais. Investimentos em combustíveis fósseis são proibidos.

O TFFF terá como foco países com grandes áreas tropicais, como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, além de outras nações em desenvolvimento com florestas úmidas.

A cúpula contará com três sessões temáticas. A primeira, dedicada a florestas e oceanos, será palco do lançamento oficial do fundo. A segunda abordará a transição energética, com metas como triplicar a capacidade global de energias renováveis até 2030 e duplicar a eficiência energética.

Também será discutido o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4x), coalizão liderada por Brasil, Itália e Japão que pretende quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. O grupo inclui tecnologias como hidrogênio verde, biogás, biocombustíveis e combustíveis sintéticos.

A terceira mesa fará um balanço dos dez anos do Acordo de Paris (2015–2025), avaliando o cumprimento das metas nacionais e os ajustes necessários nas novas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) para 2035. O debate também abordará o financiamento climático, com destaque para o Roteiro Baku–Belém, plano apresentado pelas presidências do Azerbaijão (COP29) e do Brasil (COP30).

O documento propõe mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, com base em cinco pilares: reforçar, reequilibrar, redirecionar, reestruturar e reconfigurar o sistema financeiro climático global.

Apesar da presença expressiva de líderes, nem todos os países serão representados por seus chefes de Estado. Os Estados Unidos, por exemplo, não enviaram representantes políticos de alto escalão, e o presidente Donald Trump não participará do encontro.

A Cúpula dos Líderes antecede as negociações formais da COP30, que ocorrerão entre os dias 10 e 21 de novembro. A expectativa do governo brasileiro é que o formato permita mais tempo para tratar dos temas centrais da conferência e acelere os avanços em acordos multilaterais sobre clima, energia e desenvolvimento sustentável.