O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (Foto/Agência Brasil)


Em discurso feito no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação de uma comissão dedicada à identificação e à regulamentação dos chamados “minerais críticos” no território brasileiro.

A iniciativa, segundo o presidente, tem como objetivo assegurar o controle estatal sobre recursos considerados essenciais para o desenvolvimento tecnológico e a transição energética global.

Lula destacou que minerais como nióbio, lítio, titânio, tântalo e elementos pertencentes às chamadas “terras raras” — fundamentais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas e painéis solares — não poderão ser explorados livremente.

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Empresas interessadas terão que solicitar autorização do governo, que exercerá maior vigilância sobre pesquisas e transações envolvendo esses recursos.

“Esses minérios são do povo brasileiro. A riqueza que eles produzem tem que servir à nossa gente”, afirmou o presidente.

Disputa geopolítica

A declaração ocorre em meio a notícias sobre o interesse dos Estados Unidos nos minérios brasileiros, vistos como alternativa às reservas da China, líder mundial nesse setor. Lula demonstrou preocupação com pressões externas e reforçou a necessidade de proteger os bens nacionais. “Ora, se eu nem conheço esse mineral e ele já é considerado crítico, eu vou cuidar dele. Por que deixaria outro se apropriar?”, provocou.

O tema da energia norteou o evento do qual participou, com Lula defendendo o papel estratégico do Brasil na geração limpa e sustentável. O presidente citou fontes como etanol, biodiesel e hidrogênio verde como áreas em que o país pode liderar globalmente. “O Brasil tem abundância de recursos e pode se tornar peça-chave na economia do futuro”, destacou.

Enquanto o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, seguiu para Nova York com missão diplomática na ONU, a relação com os EUA enfrenta obstáculos. A Casa Branca condiciona negociações ao avanço de processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar das divergências, Lula sinalizou abertura ao diálogo: “Coloque as diferenças sobre a mesa e vamos conversar. Não se impõe decisões abruptas.”

EVENTO NO RIO

O presidente participou nesta segunda-feira da inauguração da Usina Termelétrica GNA II, no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).

O empreendimento integra o maior parque de geração a gás natural da América Latina com 3 gigawatts (GW) de capacidade instalada.

Com investimento de R$ 7 bilhões e 1,7 gigawatts (GW) de capacidade instalada, a UTE GNA II responde por cerca de 10% da geração a gás natural da matriz elétrica nacional. A nova usina, capaz de atender 8 milhões de residências com energia segura e confiável, foi selecionada como projeto estratégico do Novo PAC, o programa de aceleração do crescimento do Governo Federal.

Durante a fase de construção da GNA II, foram gerados cerca de 10 mil empregos, com oferta de cursos de qualificação gratuitos. A usina opera em ciclo combinado, com eficiência superior a 62% e possibilidade de uso de até 50% de hidrogênio em sua operação. É um passo importante rumo à transição energética. Quase 100% da água utilizada é proveniente do mar, preservando recursos hídricos.

A usina conta com quatro turbinas geradoras, sendo três a gás e uma a vapor, e opera em ciclo combinado, o que garante alta eficiência e redução de emissões. Cerca de 35% de sua capacidade instalada, o equivalente a 572 MW, são gerados sem consumo adicional de gás, dada sua eficiência superior a 60%. A planta foi projetada para operar com até 50% de hidrogênio em substituição ao gás natural, representando um passo importante rumo à transição energética.

As usinas GNA I e GNA II somam um investimento de R$ 12 bilhões e capacidade instalada de 3 GW, energia para atender cerca de 14 milhões de residências. No período de maior demanda das obras, geraram 22 mil empregos diretos. A inauguração posiciona o Brasil como detentor do maior e mais moderno parque de geração a gás da América Latina , reforçando o papel do gás natural como combustível fundamental para a transição energética, por sua confiabilidade e menor emissão de carbono.

VEJA O MOMENTO DO DISCRUSO AQUI: