Forças militares apreendem submarino usado pelo narcotráfico de cocaína nos países produtores da droga. (Foto: Divulgação)]


No discurso de abertura da 80ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a América Latina e o Caribe enfrentam um cenário de crescente polarização e instabilidade, mas reiterou que manter a região como zona de paz continua sendo prioridade do Brasil.

“Manter a região como zona de paz sempre foi e é a nossa prioridade”, disse Lula, ao destacar que o continente permanece livre de armas de destruição em massa e não enfrenta conflitos étnicos ou religiosos.

O presidente criticou a equiparação entre criminalidade e terrorismo, afirmando que essa associação é preocupante e contraproducente.

Continua depois da publicidade

Segundo ele, o combate ao tráfico de drogas deve se concentrar na cooperação internacional para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas.

“Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento”, afirmou. “Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias.”

Crise militar e tensão com a Venezuela

Lula também se posicionou contra ações militares unilaterais, em referência ao deslocamento de navios e submarinos dos Estados Unidos para a costa venezuelana, sob o argumento de combate ao narcotráfico. O governo Trump acusa o presidente Nicolás Maduro de liderar um cartel de drogas, enquanto Caracas denuncia tentativa de “troca de regime”.

Especialistas consultados pela Agência Brasil rejeitam a classificação da Venezuela como “narcoestado”, como tem sido promovido por Washington.

O presidente brasileiro defendeu que a via do diálogo não esteja fechada na Venezuela e afirmou que o Haiti deve ter direito a um futuro livre de violência. Lula também criticou a inclusão de Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo, classificando a medida como “inadmissível”.

Fome e pobreza como ameaças à democracia

Em outro trecho do discurso, Lula afirmou que a pobreza representa ameaça tão grave à democracia quanto o extremismo. Ele destacou desigualdades de gênero e xenofobia como fatores que enfraquecem os regimes democráticos.

“A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares. Ela perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo.”

O presidente celebrou a saída do Brasil do mapa da fome, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), mas lembrou que ainda há 670 milhões de pessoas famintas no mundo e cerca de 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar.

“A única guerra em que todos podem sair vencedores é a travada contra a fome e a pobreza”, disse Lula, ao destacar a criação da Aliança Global contra a Fome, lançada no G20 e já apoiada por 103 países.