O presidente francês Emmanuel Macron afirmou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, reforçando a posição do país como principal foco de resistência dentro do bloco. A declaração será levada à reunião de embaixadores da UE marcada para sexta-feira, quando os Estados-membros discutirão os próximos passos do tratado negociado há mais de 25 anos. Irlanda, Hungria e Polônia também mantêm oposição ao acordo.
A resistência francesa está centrada sobretudo no setor agrícola. Macron voltou a dizer que o texto “não pode ser assinado” nas condições atuais e condicionou qualquer apoio à criação de salvaguardas adicionais para proteger os produtores locais. Agricultores franceses temem a concorrência de produtos do Mercosul, considerados mais baratos e submetidos a regras ambientais menos rigorosas. Em meio à pressão, o governo francês decretou a suspensão temporária da importação de alguns produtos agrícolas sul-americanos tratados com agrotóxicos proibidos na UE, medida que ainda depende de aval da Comissão Europeia.
Apesar das objeções, a expectativa em Bruxelas é de que a Comissão Europeia consiga reunir apoio suficiente para autorizar a assinatura do acordo. Países como Alemanha e Espanha defendem o avanço do tratado, argumentando que ele amplia mercados, reduz a dependência da China e ajuda a compensar impactos de tarifas impostas pelos Estados Unidos. Para esses governos, a credibilidade da política comercial europeia depende da conclusão do pacto com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A Itália surge como possível voto decisivo a favor do acordo, após sinalizar abertura mediante garantias ao seu setor agrícola. Com isso, a Comissão Europeia busca alcançar o apoio mínimo de 15 Estados-membros que representem ao menos 65% da população do bloco. Caso esse respaldo seja confirmado na reunião desta sexta-feira, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, poderá assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai, criando a maior área de livre comércio do mundo.





