Mais de 8,7 milhões de brasileiros gastam mais de uma hora por dia para chegar ao trabalho, segundo dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo IBGE. Desse total, 1,3 milhão enfrenta deslocamentos superiores a duas horas, realidade que afeta principalmente homens, pessoas negras e trabalhadores de baixa renda nas grandes cidades.
O levantamento mostra que 56,3% dos trabalhadores levam até 30 minutos no trajeto, enquanto 20,3% gastam entre 30 minutos e uma hora. Já os deslocamentos de 1 a 2 horas atingem 10,4% da população ocupada, e os de mais de 2 horas, 1,8%.
Desigualdade no transporte
A pesquisa revela que os trajetos mais longos são mais comuns entre quem ganha até meio salário mínimo. Entre os homens, 857 mil enfrentam deslocamentos superiores a duas horas, contra 402 mil mulheres. A população preta também aparece com maior proporção nos trajetos de 1 a 2 horas (13,9%).
Estudo do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil) aponta que a mobilidade urbana no país reforça desigualdades sociais e raciais. Moradores das periferias enfrentam transporte caro, precário e inseguro, com pouca integração entre modais e governança fragmentada.
Transporte motorizado domina
O Censo também mostra que metade dos trabalhadores usa transporte individual motorizado — como carros e motos — para ir ao trabalho. O transporte coletivo é usado por 23,3%, enquanto 17,8% vão a pé. Apenas 1,6% utilizam trem ou metrô, modais que concentram os trajetos mais longos: em São Paulo, 90,9% dos usuários levam mais de meia hora.
Regiões mais afetadas
São Paulo lidera em número absoluto de trajetos acima de 2 horas, com 152 mil pessoas. No Rio de Janeiro, municípios como Queimados (12,5%), Nova Iguaçu (11,8%) e Belford Roxo (10,8%) têm as maiores proporções de deslocamentos extremos.
Tarifa zero em debate
Diante dos dados, o governo federal estuda a viabilidade da tarifa zero no transporte público, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta busca aliviar o custo do transporte para trabalhadores e promover justiça social, especialmente nas regiões metropolitanas.



