Rodolpho Ramazzini, diretor da ABCF, comenta sobre as mortespor metanol no estado de SP. (Foto: Brasil Confidencial)


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Um homem de 45 anos é a terceira vítima fatal por consumo de bebida alcoólica falsificada com utilização de metanol. A morte, divulgada na manhã desta segunda-feira (29), ocorreu no ABC paulista. Trata-se, até agora, do terceiro óbito registrado por ingestão de bebida adulterada.

Em entrevista gravada ao BRASIL CONFIDENCIAL nesta segunda-feira (29), o diretor da ABCF (Associação Brasileira de Combate à Falsificação), Rodolpho Ramazzini, afirmou que a situação é muito séria e precisa ser combatida de forma ostensiva pelas autoridades, para evitar novas vítimas.

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A contaminação por metanol em bebidas alcoólicas ilegais causou, além das três mortes, ao menos dez casos de intoxicação no estado de São Paulo.

“Essa contaminação por metanol em bebidas ilegais que vem ocorrendo aqui no estado de São Paulo, obviamente, no nosso entendimento, tem ligação com o crime organizado”, reiterou Ramazzini.

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Segundo ele, os grupos criminosos envolvidos na falsificação de bebidas são os mesmos que operavam batedeiras de combustível e empresas formuladoras, alvos da Operação Carbono. Após a ação, os estoques de metanol dessas empresas teriam sido desviados para destilarias clandestinas.

“O crime organizado, obviamente, tenta desovar esse metanol importado ilegalmente por eles, de alguma maneira. E estão diretamente envolvidos na atividade de falsificação de bebidas, como temos alertado há muito tempo”, disse.

A ABCF defende a retomada do sistema de rastreabilidade e controle de produção de bebidas, previsto em lei e operado pela Receita Federal e pela Casa da Moeda. Segundo Ramazzini, a medida é essencial para diferenciar produtos legais dos falsificados e combater práticas como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

“Caso contrário, continuaremos focados em realizar cada vez mais ações de inteligência e repressão com as autoridades, mas esse mercado de bebidas falsificadas vai continuar crescendo”, afirmou. “A única maneira de dar um golpe forte no crime […] é retomando, conforme determina a lei, o sistema de rastreabilidade e controle de produção de bebidas.”