Ministro Alexandre Padilha em entrevista coletiva — Foto: Reprodução


O Ministério da Saúde confirmou nesta quinta-feira (2) que investiga 59 casos suspeitos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas em diferentes estados do país.

Segundo boletim oficial, doze casos já foram confirmados e 47 seguem sob suspeita clínica, além de uma morte confirmada e sete óbitos em investigação — cinco em São Paulo e dois em Pernambuco.

A pasta informou que os casos envolvem principalmente jovens que consumiram bebidas como gin, vodca e uísque adquiridas em pontos de venda informais.

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“Estamos diante de um surto grave, com risco real à saúde pública. A recomendação é que a população compre bebidas apenas em locais confiáveis e verifique o registro no rótulo”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel.

A substância metanol, usada ilegalmente para adulterar bebidas, é altamente tóxica e pode causar cegueira, falência renal e morte.

Um dos casos mais graves é o de Rafael dos Anjos, de 28 anos, que perdeu a visão após consumir gin falsificado em uma festa na Zona Sul de São Paulo. “Eu não sabia que uma bebida podia fazer isso. Achei que era só mais uma garrafa barata”, disse Rafael, ainda internado.

A investigação aponta que o metanol teria sido desviado de esquemas ilegais ligados ao crime organizado. A Polícia Federal e o Ministério da Justiça acompanham o caso. “Há indícios de que o produto foi distribuído em larga escala por quadrilhas especializadas em falsificação”, declarou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) alerta para o risco de subnotificação. “Nem todos os casos chegam aos hospitais com diagnóstico preciso. É possível que o número real seja maior”, disse a coordenadora do centro, Ana Paula Rodrigues.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não se pronunciou oficialmente, mas especialistas defendem que o órgão intensifique a fiscalização sobre bebidas importadas e nacionais.

O Brasil é um dos maiores consumidores de destilados da América Latina, e o escândalo levanta preocupações sobre a segurança do mercado.

A recomendação das autoridades é clara: evitar o consumo de bebidas de origem desconhecida e procurar atendimento médico imediato em caso de sintomas como visão turva, dor de cabeça intensa, náusea ou confusão mental.

Hungria: metanol confirmado

“Temos a confirmação de metanol”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, após a internação do rapper Hungria.

“Nossa equipe está acompanhando desde o início a internação. E nesse caso, temos a confirmação de que foi detectada a presença de metanol no exame deste paciente que está internado”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva nesta quinta-feira (2).

A declaração veio após a internação do rapper Hungria, de 34 anos, em Brasília, com sintomas compatíveis com intoxicação por metanol.

Segundo Padilha, o Ministério da Saúde acompanha tecnicamente os casos e já contabiliza 12 confirmações. “A gente já pode afirmar, pelo acompanhamento que o ministério faz. Nossa equipe tem profissionais que acompanham inclusive tecnicamente a internação. Então, a gente já pode colocar que são 12 confirmados”, completou.

Hungria consumiu a bebida suspeita de conter metanol na casa de um amigo em Vicente Pires, no Distrito Federal.

Segundo a assessoria do cantor, ele ingeriu vodca durante a madrugada em Vicente Pires, uma região a cerca de 20 km do centro de Brasília.

Hungria foi o único a consumir essa bebida, que pode ter sido adulterada.

Ainda não se sabe se a bebida foi adquirida no DF ou em São Paulo, onde ele havia feito shows dias antes e onde já foram registrados vários casos de intoxicação por metanol.