O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a inclusão do bispo Robson Rodovalho no grupo de oração autorizado a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão barra a entrada do líder da Igreja Sara Nossa Terra na residência de Bolsonaro, em Brasília, onde ele cumpre prisão domiciliar.
O pedido para que Rodovalho pudesse integrar o grupo de apoio espiritual foi feito pela defesa de Bolsonaro, que argumentou a necessidade de amparo religioso. A lista original, já aprovada pelo ministro, conta com 16 pessoas, incluindo familiares e pastores. No entanto, o nome do bispo foi vetado.
A justificativa de Moraes para a negativa está ligada a um histórico jurídico de Rodovalho. O ministro considerou a condenação do bispo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico em 2010. Na época, a decisão resultou na cassação do mandato de sua então esposa, a deputada distrital Weslian Roriz.
A reportagem apurou que a decisão gerou surpresa entre aliados do ex-presidente. A expectativa era de que o pedido fosse concedido sem maiores restrições, uma vez que a visita teria caráter estritamente religioso.
Para a defesa de Bolsonaro, a negativa de Moraes é mais uma demonstração de uma perseguição política. Fontes próximas ao ex-presidente classificaram a decisão como “arbitrária” e “sem precedentes”, argumentando que a fé de Rodovalho não pode ser um impedimento para que ele preste auxílio a um fiel.
Já a equipe do ministro Moraes, em contato com a nossa reportagem, defendeu a decisão, afirmando que a medida visa manter a ordem e a transparência do processo. A fonte ressaltou que a presença de uma figura com histórico de condenação por abuso eleitoral poderia, de alguma forma, comprometer a credibilidade do grupo autorizado.
Em nota oficial, a defesa de Jair Bolsonaro informou que irá recorrer da decisão. O objetivo é reverter o veto e garantir que o bispo Rodovalho possa integrar o grupo de oração. A nota ainda reforça que a liberdade religiosa deve ser preservada e que não há qualquer motivação legal que justifique a proibição.
Robson Rodovalho, por sua vez, não se manifestou publicamente sobre o assunto. Em seu perfil nas redes sociais, ele publicou uma passagem bíblica que diz: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”. A postagem foi interpretada por seguidores como uma indireta à decisão de Moraes. A notícia continua em desenvolvimento.


