O Ministério Público Federal informou nesta sexta-feira (3) ter denunciado dez pessoas por envolvimento em um esquema de entrada clandestina de aproximadamente 400 estrangeiros no Brasil entre 2021 e 2024.
A organização criminosa operava na fronteira com a Venezuela e utilizava documentos falsificados para facilitar a travessia ilegal.
Segundo a denúncia, o grupo era liderado por um cidadão sírio, atualmente preso na França, e contava com a participação de brasileiros e venezuelanos.
Os migrantes, em sua maioria, não tinham o Brasil como destino final, mas usavam o país como rota de passagem para outras nações. Cada um pagava até US$ 1.000 pelo serviço.
Funcionários terceirizados da Polícia Federal estariam envolvidos no esquema, recebendo propina para inserir dados falsos no sistema oficial, emitir documentos sanitários fraudulentos e utilizar carimbos oficiais furtados.
A denúncia inclui crimes como promoção de migração ilegal, organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, além de inserção de dados falsos em sistema público.
A investigação revelou que o grupo também usava contratos de trabalho falsos com instituições esportivas para justificar pedidos de residência. A entrada de venezuelanos sem documentação é permitida em casos excepcionais, como indígenas, mas exige coleta de biometria, entrevista e análise de risco.
O líder da organização foi detido em agosto de 2025 na França, após cooperação entre a Polícia Federal, a Interpol e autoridades locais. Os demais denunciados seguem sob investigação no Brasil.
A denúncia foi apresentada à Justiça Federal em Roraima. O MPF não informou se os acusados já foram ouvidos em audiência.


