Sob o calor do verão e as águas agitadas da chamada “Costa do Tesouro”, mergulhadores norte-americanos descobriram mais de mil moedas de ouro e prata, enterradas por mais de três séculos no fundo do Atlântico. Avaliado em cerca de US$ 1 milhão, o achado reacende o fascínio por uma das maiores tragédias marítimas da era colonial espanhola.
A descoberta foi anunciada pela empresa 1715 Fleet – Queens Jewels LLC, especializada em operações de salvamento subaquático. A equipe encontrou as moedas a menos de 300 metros da costa, em uma área onde, segundo historiadores, naufragaram 11 navios espanhóis em 1715. A frota transportava metais preciosos extraídos das colônias da América Latina — incluindo Bolívia, México e Peru — com destino à Europa, quando foi surpreendida por um furacão devastador.
“Cada moeda é um elo tangível com a história colonial e com os homens que viveram e morreram naquele desastre”, disse Mike Perna, capitão e mergulhador veterano da operação, em entrevista. “Encontrar mil delas em uma única missão é extraordinário.”
História submersa
A chamada Frota de 1715 partiu do Novo Mundo carregada com o que seriam as riquezas da coroa espanhola. Mas em 31 de julho daquele ano, uma tempestade tropical transformou a travessia em tragédia. Os navios foram engolidos pelas ondas e os tesouros, lançados ao fundo do mar. Embora parte tenha sido recuperada pelos espanhóis na época, muito permaneceu perdido — até agora.
As moedas, algumas em excelente estado de conservação, exibem marcas de cunhagem anteriores ao naufrágio. Especialistas acreditam que o valor histórico supera o monetário, e há negociações em andamento para que parte do acervo seja exibida em museus locais.

Disputa legal e preservação
Segundo a legislação da Flórida, artefatos arqueológicos encontrados em águas estaduais pertencem ao estado. No entanto, empresas licenciadas como a Queens Jewels podem realizar operações de resgate e, após negociações, manter até 80% dos itens recuperados. Os demais são destinados a coleções públicas e pesquisas acadêmicas.
A operação segue protocolos rigorosos de preservação, incluindo limpeza, catalogação e documentação dos achados. “Não se trata apenas de ouro e prata”, afirmou Sal Guttuso, diretor de operações da empresa. “É sobre proteger a memória de um capítulo esquecido da história marítima.”
O mar ainda guarda segredos
A descoberta reacende o interesse por tesouros submersos e pela história colonial espanhola. Para os mergulhadores, o momento foi mais do que uma vitória técnica — foi uma conexão direta com o passado.
“Ao retirar cada moeda da areia, sentimos que estávamos tocando a história”, disse Perna. “O mar ainda guarda segredos. E nós estamos apenas começando a desvendá-los.”





