A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou duramente a operação militar dos Estados Unidos que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (6), em Genebra, representantes da organização afirmaram que a ação “violou princípios fundamentais do direito internacional” e representa um “precedente perigoso” para a estabilidade global.
A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, declarou que “nenhum Estado deve usar a força contra a integridade territorial ou independência política de outro país”.
Segundo ela, a intervenção americana “torna o mundo menos seguro” e ameaça a arquitetura da segurança internacional.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar “profundamente alarmado” com a escalada das tensões entre Washington e Caracas. “A operação militar norte-americana envolveu ataques na capital venezuelana e a suposta captura do presidente Nicolás Maduro.
Isso é um desrespeito às regras do direito internacional”, afirmou.
Durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU, países aliados de Maduro também se manifestaram.
A China classificou a ação como “bullying”, enquanto a Rússia acusou os Estados Unidos de “hipocrisia e cinismo”. O embaixador norte-americano Mike Waltz, por sua vez, defendeu a operação, alegando que o regime de Maduro é “ilegítimo” e responsável por “atrocidades contra seu próprio povo”.
A ONU alertou ainda para o impacto humanitário da crise. “A militarização e a instabilidade podem agravar a situação de milhões de venezuelanos que já necessitam de assistência humanitária”, disse Shamdasani.
A captura de Maduro, realizada no último fim de semana por forças especiais americanas, provocou reações imediatas em diversos países da América Latina, que classificaram a ação como uma violação da soberania venezuelana. O Brasil deve reforçar sua condenação em pronunciamento oficial nos próximos dias.


