Crianças em pé em terreno afetado pela seca na Tailândia, país que sofre consequências das alterações climáticas. (Foto: Unicef)

O mundo caminha para um aumento médio de temperatura de 2,3°C até o fim do século, caso os planos climáticos nacionais atuais sejam mantidos sem alterações, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (4) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

A projeção considera a implementação integral das metas até 2035 e revela que a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C, prevista no Acordo de Paris, está fora de alcance sem ações adicionais.

O documento, intitulado “Lacuna de Emissões”, indica que a ultrapassagem temporária do limite de 1,5°C é considerada inevitável por cientistas, com início previsto para o começo da década de 2030.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o cenário exige intensificação imediata das ações climáticas e que ainda é possível reverter os impactos mais graves.

Apesar do alerta, o relatório mostra leve progresso em relação ao ano anterior, quando a projeção era de 2,6°C. Atualmente, 60 países — responsáveis por 63% das emissões globais — apresentaram novas metas climáticas para 2035.

Guterres defendeu que a COP30, marcada para os próximos dias em Belém (PA), seja um ponto de virada na resposta global à crise climática. Ele propôs cortes drásticos nas emissões de gases de efeito estufa, redução acelerada do metano e transição energética dos combustíveis fósseis para fontes renováveis.

O relatório também destaca a necessidade de proteger florestas e oceanos, considerados sumidouros naturais de carbono. Para atingir a meta de 1,5°C, será necessário reduzir as emissões anuais entre 35% e 55% até 2035, em relação aos níveis de 2019. Segundo o Pnuma, cada fração de grau evitada contribui para mitigar danos ambientais, perdas econômicas e impactos na saúde, especialmente entre populações vulneráveis.