A emissão de gases na atmosfera está interferindo no clima. (Foto: Divulgação)


Com a COP30 se aproximando, marcada para novembro em Belém, Brasil, líderes mundiais intensificam esforços para apresentar novas metas climáticas para 2035. A corrida diplomática ocorre em meio a uma escalada de eventos climáticos extremos e à crescente pressão internacional por ações mais ambiciosas.

Até o momento, apenas 53 dos 195 países signatários do Acordo de Paris haviam submetido suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), segundo dados da ONU.

Juntos, esses países representam apenas 24% das emissões globais. Entre os ausentes estão grandes emissores como China, União Europeia e Índia.

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“A situação não poderia ser mais grave,” afirmou um alto funcionário da ONU durante a Cúpula do Clima em Nova York. “Os desastres climáticos estão causando estragos em todos os continentes.”

Aquecimento global

Cientistas alertam que o aquecimento global provocado pela ação humana está acelerando mudanças no clima da Terra.

Inundações no sul da Ásia, incêndios florestais na América do Norte e ondas de calor recordes na Europa reforçam os alertas. O consenso internacional, firmado no Acordo de Paris, é limitar o aumento da temperatura média global a bem menos de 2 °C, com esforços para mantê-lo em 1,5 °C.

O prazo original para entrega das NDCs expirou em fevereiro, mas foi prorrogado até o final de setembro. A Semana Climática da ONU, realizada em Nova York, serviu como catalisador para novas submissões.

“Os países vão assumir amanhã o compromisso de como vão reduzir suas emissões até 2035 e nós vamos debater tudo isso em Belém,” disse André Corrêa do Lago, presidente da COP30.

Brasil lidera apelos

O Brasil, anfitrião da COP30, tem pressionado por maior ambição. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a meta brasileira de reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035, em relação aos níveis de 2005.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou a lentidão dos países em apresentar suas metas: “Esse é um momento importante porque há uma grande expectativa em torno das NDCs que devem ser apresentadas até o final de setembro.”

Apesar da mobilização, ambientalistas criticam a falta de ambição de países como Austrália e Japão, cujas propostas foram consideradas tímidas. A União Europeia, por sua vez, levou apenas uma carta de intenção à cúpula, sem compromisso formal. “Correto, não mais do que isso,” avaliou um especialista sobre o discurso de Lula.

Com menos de dois meses para a COP30, o mundo observa se os compromissos assumidos serão suficientes para evitar uma catástrofe climática. O relatório de avaliação da UNFCCC, previsto para outubro, será decisivo para medir a ambição global rumo à meta de 1,5 °C.