“Pare de orar por ele hoje. Comece a orar por você.” A frase, disparada pela pastora Helena Raquel diante de milhares de fiéis em Camboriú (SC), ecoou como um alerta contra o feminicídio no Congresso dos Gideões, considerado o maior encontro evangélico do país.
Com microfone em mãos e câmera fixa em seu rosto, Helena não suavizou o tom: “Você precisa, com urgência, ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. Não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride, mata. Saia daí.”
O discurso, feito no último sábado, viralizou nas redes sociais e já ultrapassa 11 milhões de visualizações. A reação imediata foi de aplausos. “Deus me trouxe aqui para usar minutos que pregadores no Brasil gostariam de usar para salvar tua vida da morte”, acrescentou.
Contexto de violência
Os números reforçam a gravidade da mensagem. Em 2025, o Brasil registrou 1.470 feminicídios, recorde histórico segundo o Ministério da Justiça.
Em Santa Catarina, foram 52 mulheres assassinadas por razões de gênero. Quase um terço das sentenças criminais julgadas no estado entre janeiro e julho envolveu violência doméstica.
Voz dissonante
Helena, líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra, no Rio de Janeiro, e fundadora do Ministério Pastoras do Brasil, afirmou que muitas vítimas são aconselhadas dentro das próprias igrejas a não denunciar os agressores. “O que eu estou dizendo aqui é um saber empírico.
Não há pesquisa, não há dado. Mas eu tenho 47 anos e nasci num lar cristão”, justificou.
Palco conservador
O Congresso dos Gideões, que reuniu mais de 200 mil pessoas neste ano, é tradicionalmente marcado por discursos de líderes religiosos e políticos conservadores. Já recebeu Jair Bolsonaro e, em 2026, contou com a presença do deputado Marco Feliciano.
No entanto, foi a fala de Helena que rompeu o protocolo. “Pare de orar por ele hoje”, insistiu, em um recado que confronta práticas arraigadas no meio evangélico e expõe a urgência de enfrentar a violência contra mulheres.
Quem é a pastora Helena Raquel
Helena Raquel, 47 anos, é uma das principais vozes femininas da Assembleia de Deus no Brasil.
Natural do Rio de Janeiro, ela lidera a Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADVIP), em Queimados (RJ), e se consolidou como pregadora de alcance nacional. Casada com o pastor Eleomar Dionel, é mãe de Maria Clara.
A trajetória da pastora ganhou projeção em 2012, quando participou pela primeira vez do Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú (SC), com a pregação “Cuidado com o seu lenço”.
A pregação foi baseada no capítulo 38 do livro de Gênesis e abordou a história de Judá e Tamar. O sermão destacou temas como vigilância espiritual, santidade e o papel das mulheres na obra de Deus.
Desde então, tornou-se presença recorrente no evento, considerado o maior encontro evangélico do país, que reúne mais de 200 mil fiéis. Em 2026, sua mensagem “Quebrando o silêncio” chamou atenção ao abordar temas como feminicídio, violência doméstica e abuso sexual.
Além da atuação nos Gideões, Helena Raquel é autora de livros cristãos voltados especialmente para mulheres, alguns entre os mais vendidos do segmento. Também idealizou o Ministério Pastoras do Brasil, iniciativa que busca fortalecer a liderança feminina no meio evangélico.
Nas redes sociais, soma mais de 1,7 milhão de seguidores, com vídeos de pregações que frequentemente viralizam.
Com mais de três décadas de ministério, Helena Raquel se consolidou como referência entre pregadoras pentecostais. Sua atuação combina liderança pastoral, produção literária e presença em grandes eventos, o que a coloca entre os nomes mais influentes da cena evangélica brasileira.


